Brasileiros ainda podem estar entre mortos, diz embaixador

Em entrevista ao iG, Marcos Galvão diz que não há registros de brasileiros vitimados, mas número de desaparecidos é grande

Klinger Portella, iG São Paulo |

Apesar de ainda não ter recebido informações de vítimas brasileiras do maior terremoto da história do Japão , o embaixador do Brasil no país, Marcos Galvão, diz que é “prematuro” descartar a presença de brasileiros na lista de vítimas, que já ultrapassou a marca de 400 mortos. “Não podemos de maneira nenhuma descartar”, diz Galvão, em entrevista ao iG . “Há ainda muitas pessoas desaparecidas (...) não seria responsável descartar a possibilidade de algum brasileiro vitimado”, completa.

O embaixador falou com a reportagem do iG no início da tarde deste sábado (fim de madrugada no Brasil). Em trabalho constante desde o terremoto de magnitude 8,9, que foi seguido de tsmunami, Galvão diz que já respondeu mais de 3 mil emails de familiares buscando informações sobre brasileiros nas regiões da tragédia.

“Presumimos que, com o reestabelecimento dos telefones, exceto nas áreas mais atingidas pelo terremoto, a maioria dos brasileiros conseguiu entrar em contato com suas famílias”, afirmou.

Confira os principais trechos da entrevista do embaixador brasileiro no Japão:

iG: Qual é a situação atual no país?
Marcos Galvão: A embaixada está funcionando em regime de plantão. Passamos toda a noite aqui. O foco do nosso trabalho está sendo buscar informações a respeito tanto da situação geral como com relação aos brasileiros e compartilhar essas posições com a mídia e, principalmente, com as famílias dos brasileiros que moram aqui.

iG: Ainda não há registros de vítimas brasileiras?
Seguimos na mesma situação. Temos tido contato permanente com as autoridades japonesas, que continuam a nos dizer que entre as vítimas não há brasileiros. Nós também não temos informações diretamente da comunidade, seja pela embaixada ou pelos três consulados aqui no Japão.

iG: Já é possível descartar a existência de brasileiros entre as vítimas?
Não podemos de maneira nenhuma descartar. O número de pessoas desaparecidas não está muito claro. Há muitos desaparecidos. Na região de Sendai, a província mais atingida, há de 200 a 300 corpos que não foram identificados. O número de brasileiros que residem naquela região é muito pequeno, mas não seria responsável descartar a possibilidade de algum brasileiro vitimado. Por enquanto, não temos nada, felizmente.

iG: E qual é a situação de Tóquio neste momento?
O movimento nas ruas é menor do que seria em um sábado normal por aqui, mas as coisas caminham para a normalidade. Um dos poucos sintomas de não normalidade é, por exemplo, nas lojas de conveniência, onde há desabastecimento de certos produtos, porque houve uma corrida por alimentos. Isso além do pouco movimento nas ruas, porque as pessoas que normalmente passariam o fim de semana em Tóquio não vieram para cá.

iG: Para os brasileiros que estão em Tóquio, a situação já é de plena segurança?
Seria prematuro dizer. Primeiro, porque o Japão é uma área de incidência sísmica e a possibilidade de terremotos é sempre presente. Depois, porque o Japão continua a sofrer abalos secundários. Houve dezenas de tremores desde o terremoto de ontem. Ao longo da noite toda, enquanto trabalhávamos, a sensação em alguns momentos era de que estávamos em um navio. Nada que assustasse, mas claramente não há estabilidade. É muito impressionante.

iG: Os trabalhos na Embaixada devem se estender durante a madrugada novamente?
É provável, pela simples razão do fuso horário. Como estamos 12 horas diante do Brasil e consideramos que nossa missão é buscar informações e ajudar na medida do possível, sentimos que isso é necessário. O número de emails e telefonemas para a embaixada já caiu. Respondemos, mais ou menos, 3 mil emails nas 25 horas desde o terremoto. Presumimos que, com o reestabelecimento dos telefones, exceto nas áreas mais atingidas pelo terremoto, a maioria dos brasileiros conseguiu entrar em contato com suas famílias. E os que não fizeram já fiz um apelo na comunidade para que o façam assim que possível.

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