O brasileiro Vitor Pinheiro de Melo, de 35 anos, se reencontrou neste domingo com colegas resgatados do navio Danny F II, que afundou na quinta-feira perto da costa do Líbano.

BBC
Vitor (de camisa listrada) ao lado de paquistaneses e filipinos

Vitor (de camisa listrada) ao lado de paquistaneses e filipinos


Meo estava ansioso para rever os colegas, principalmente os quatro amigos uruguaios que trabalhavam com ele nos compartimentos de carga.

Ainda no hospital, com roupas novas doadas pelo Consulado-Geral do Brasil em Beirute, o brasileiro de Pelotas, no Rio Grande do Sul, sorria mais aliviado depois do drama de passar por cerca de duas horas no mar até ser resgatado.

"Eu estou feliz porque vejo nos corredores no hospital vários colegas paquistaneses e filipinos que tiveram a sorte de escapar com vida", disse ele.

Melo foi um dos 38 sobreviventes que foram resgatados por navios da marinhas libanesa e da força de manutenção de paz da ONU para o Líbano. Outras dez pessoas morreram e 35 continuam desaparecidas.

'Homem de sorte'

A embarcação de bandeira panamenha viajava do Uruguai para o porto sírio de Tartous com 83 pessoas à bordo e cerca de 30 mil animais vivos (bovinos e ovinos).

O navio perdeu a estabilidade após uma manobra e virou. Antes de afundar, a cerca de 17 km da costa norte do Líbano, o navio enviou uma mensagem de perigo.

Segundo as autoridades libanesas, os trabalhos de resgate continuam mas as chances de encontrar mais sobreviventes são pequenas devido ao mar agitado e aos ventos fortes.

O brasileiro Melo se considera um homem de sorte por ter ficado somente duas horas no mar até o socorro chegar. "Conversando com colegas no hospital, descobri que muitos ficaram até 10 horas na água até serem resgatados. Não sei se eu teria aguentado tanto tempo assim", desabafou.

Após ganhar alta médica, Melo fez questão de tirar uma foto com os colegas de embarcação e médicos do hospital. "Dificilmente verei estas pessoas de novo. E a lembrança disso não sairá da minha memória tão cedo".

Uruguaios

Mas o brasileiro estava mais ansioso para reencontrar os quatro amigos uruguaios que, junto com ele, cuidavam dos animais no compartimento de cargas.

BBC
Vitor e os colegas uruguaios

Vitor e os colegas uruguaios

Ao chegar ao hotel onde outros membros da tripulação do navio estavam sendo abrigados, Melo foi imediatamente cercado e abraçado pelos quatro amigos uruguaios.

"Fiquei muito feliz de saber que todos estavam bem, juntos passamos bons e maus momentos no navio, cuidávamos uns dos outros", revelou Melo, visivelmente emocionado.

Segundo ele, os uruguaios estavam no mesmo local quando o sinal de alerta tocou para que a tripulação abandonasse o navio. "Mas nós nos perdemos de vista na confusão. E depois que pulamos na água, as ondas nos afastaram até eu não vê-los mais".

De acordo com Melo, no momento do resgate ele pôde ver que os uruguaios também tinham sido salvos, mas foram levados por diferentes barcos.

Brasil

Após palavras mútuas de apoio, o brasileiro foi levado pelo Vice-Cônsul do Brasil em Beirute, Saulo Castro de Carvalho, para um hotel na capital libanesa.

Segundo Carvalho, o Consulado emitirá uma Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), documento que substituirá o passaporte que se perdeu no mar.

Melo deve embarcar de volta ao Brasil nesta segunda-feira, caso os trâmites legais junto às autoridades libanesas corram normalmente.

"Agora só quero chegar ao Brasil e estar junto da minha família", enfatizou o brasileiro, que garantiu que não voltará ao mar tão cedo.

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