Brasileiro no Havaí conta como o tsunami mudou a rotina nas ilhas

Ecólogo do serviço geológico dos EUA relata que chegou a haver correria a supermercados para estoque de comida e água

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Joel Noa/ postada no Twitter
O píer Kailua, na Ilha Grande do Havaí,tomado pelas águas do tsunami, em foto postada no Twitter
O brasileiro Lucas Berio Fortini mora em Honolulu, na ilha de Oahu, no Havaí, desde janeiro. Pela primeira vez, conviveu com uma ameaça de tsunami que não chegou a atingir a parte da ilha aonde vive, mas foi suficiente para lhe tirar a noite de sono. Funcionário do serviço geológico dos Estados Unidos (US Geological Survey), responsável por monitorar, entre outras coisas, risco de terremotos e erupções vulcânicas, ele trabalha no departamento de ecologia do órgão e é responsável por conduzir pesquisas em nas ilhas do Oceano Pacífico afiliadas aos EUA. Fortini contou como ficou o Havaí desde o momento em que foi dado o alerta de tsunami, reflexo da tragédia que causou grandes estragos no Japão nesta sexta-feira, até a evacuação de áreas de perigo e, finalmente, a liberação das pessoas conduzidas a abrigos na manhã seguinte.

“O terremoto no Japão aconteceu por volta das 20h, no horário aqui do Havaí. Um pouco depois, já fizeram alguns cálculos mais superficiais e determinaram que um tsunami estaria chegando à ilha por volta das 3h da madrugada. Após algumas horas, confirmaram o tsunami. Em todas as ilhas do arquipélago há um sistema de aviso. São sirenes espalhadas que parecem aquelas da Segunda Guerra, são muito altas. Todos conhecem porque eles testam o sistema todo primeiro dia do mês, então você já sabe o motivo do barulho e o que fazer quando o ouvir. Fora isso toda programação de rádio e TV é interrompida para dar o aviso", explicou.

O brasileiro disse que, na área onde mora, não houve necessidade de evacuação, mas amigos tiveram de passar a noite fora de casa. "Não moro na parte baixa da cidade, mas pessoas do serviço público começaram a ir de porta em porta avisando que os moradores tinham de sair de casa para ir para casas de conhecidos ou para o abrigos. Tenho alguns amigos que passaram a noite nesses abrigos. Uma colega minha de trabalho só pode voltar 6h da manhã, porque eles só liberam quando determinarem que o perigo passou”, contou Fortini.

De acordo com o ecólogo, na ilha de Oahu o tsunami não passou de um metro de altura. “Os maiores foram no porto de Maui e no porto da Ilha Grande, em Hilo. Lá o tsunami passou de dois metros. As ilhas do Havaí, ao contrário de muitas outras do Pacífico, têm montanhas, não são planas, então as áreas de perigo para um tsunami normal são relativamente pequenas. Por sorte, o tsunami também coincidiu com a maré baixa, o que reduziu um pouco o perigo”, lembrou.

Arquivo Pessoal
Lucas Fortini mora no Havaí desde janeiro

Mesmo sem grandes estragos, o brasileiro contou que a rotina da cidade foi bastante alterada. “Muita gente foi direto para os supermercados buscar comida e água para estocar, algumas lojas fecharam mais cedo. Como eu moro numa parte mais alta, não me preocupei muito, só enchi alguns baldes para o caso do abastecimento ser suspenso. Hoje a gente nota aqui do alto que o movimento está bem pequeno, até o trânsito está muito tranquilo. Várias companhias só estão deixando as pessoas voltarem ao trabalho depois que o chefe de segurança pública determinar que o perigo passou totalmente, então muita gente ficou em casa”.

O prejuízo, para Fortini, foi apenas a noite de sono. Com as sirenes e as ligações de parentes e amigos, passou a noite em claro. “O sistema de alarme tem um protocolo. As sirenes tocam na hora que determinam que vai ter o tsunami, depois três horas antes do horário previsto para o evento, duas horas antes, uma hora antes e meia-hora antes da hora estimada para acontecer. É muito alto, estressante. Até a gente que estava aqui na parte mais alta da cidade não conseguiu dormir. Também teve família e amigos ligando e a gente ligando para os amigos aqui. Ainda bem que não houve nada de mais grave”, concluiu Fortini, que é formado com honras na Universidade de Berkeley em manejo de recursos naturais e PHD, pela Universidade da Flórida, em manejo e ecologia florestal.

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