Brasileiro mortos nos EUA fugiu para não ser preso, diz namorada

CAPE COD - A namorada de André Martins, de 25 anos, morto na madrugada da última segunda-feira pela polícia de Yarmouth, nos Estados Unidos, afirmou que o brasileiro não quis parar na blitz policial porque não queria ser preso. Martins estava em situação ilegal nos Estados Unidos e dirigia sem carteira de habilitação.

Redação com agências |

Camila Campos, namorada de Martins, disse, em entrevista à TV Globo, que André não teve chance de se defender dos tiros da polícia norte-americana. "André não tinha arma, não agrediu ninguém. Ele não era bandido", afirmou Camila.

Reprodução
André Martins, em foto de arquivo pessoal
André Martins, em foto de arquivo pessoal
Martins e a mulher tinham saído de um restaurante quando a polícia tentou pará-los na blitz. No entanto, ele teria acelerado o carro. Segundo as informações passadas à família, houve uma perseguição rápida, quando o carro dirigido por André Martins bateu contra o da polícia, que atirou em seguida.

Martins estava nos Estados Unidos desde 2001, quando entrou com visto de turista. Atualmente, vivia de forma ilegal no país, apesar de ter dois filhos, de 2 e 6 anos, de nacionalidade norte-americana. Eles são filhos de Camila, que está nos EUA há cerca de 20 anos, com quem a vítima pretendia se casar no fim de 2008.

A família de André Martins está revoltada com a atuação da polícia de Massachusetts. "Eles teriam outros mecanismos para parar ou punir", disse o pai, policial militar da reserva Luiz Carlos de Castro Martins, que mora em Cianorte, no noroeste do Paraná. O pai acredita que o filho, que tinha uma firma de pinturas, tentou fugir por estar sem carteira de habilitação. "Mas eles (policiais) tinham todos os mecanismos para atirar nos pneus do veículo", disse.

AE
Pai e irmão de André, que moram no Pará, mostram foto do filho morto nos EUA

Versão da polícia

Em entrevista à imprensa, o promotor local Michael O´Keefe deu mais detalhes sobre o caso, mas se recusou a dizer se o uso da força por parte do policial foi justificado.

O´Keefe disse aos jornalistas que após André Martins ter tentado fugir do policial Christopher Van Ness, entre 120 a 140 quilômetros por hora, o oficial pediu para outras viaturas próximas ao local realizarem um bloqueio mais à frente.

Ao ver o bloqueio, Martins teria entrado em uma rua para evitá-lo e, na tentativa de fazer um retorno, acabou batendo na viatura de Van Ness. O´Keefe afirmou que ainda não se sabe se o policial estava ou não dentro do carro, pois em algum momento ele saiu da viatura e abriu fogo. Ainda de acordo com o promotor, André Martins terminou de fazer o retorno e dirigiu por alguns metros antes que seu carro parasse.

O tiro que matou André Martins perfurou seu coração e pulmões. Segundo a polícia, o brasileiro tinha um cigarro de maconha na boca quando foi retirado do carro pelos paramédicos. Camila Campos, mãe de uma menina de 5 anos e um menino de 2, estava no banco de passageiros e não sofreu ferimentos.

O policial responsável, Christopher Van Ness, 34 anos, foi colocado sob "férias administrativas" com pagamento enquanto o caso está sendo investigado. O´Keefe disse que o oficial estava "triste" pelo que o promotor chamou de "tragédia".

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