Brasileiro morto por polícia em Sydney é homenageado por amigos

Colegas deixaram mensagens na página de Roberto Laudisio no Facebook, que mais tarde foi excluída; ele foi atacado por arma de choque e spray de pimenta

iG São Paulo |

Reprodução/ Facebook
Alguns amigos usaram imagem do brasileiro Roberto Laudisio como suas fotos do perfil no Facebook. Laudisio, de 21 anos, morreu em Sydney, na Austrália, em 18/3
O brasileiro Roberto Laudisio, 21, morto pela polícia australiana em Sydney , estudou inglês no país por alguns meses e planejava fazer faculdade na Austrália. Laudisio Curti morou antes em São Paulo, onde estudou na PUC. A informação sobre sua morte foi dada nesta segunda-feira pela imprensa australiana. O jovem, cuja identidade foi confirmada pela polícia australiana , teria morrido ao ser atingido por uma arma de eletrochoque na madrugada de domingo.

Leia também: Brasileiro é morto pela polícia na Austrália, diz jornal

Na madrugada desta terça-feira, a polícia australiana confirmou a identidade de Roberto Laudisio Curti. Um porta-voz do Consulado brasileiro na Austrália disse que o jovem vivia com a irmã e com um cunhado em Sydney

Amigos na rede social Facebook fizeram várias homenagens a Laudisio antes de a página ser excluída do site na tarde desta segunda-feira. Alguns postaram mensagens, enquanto outros o marcaram em fotos relebrando momentos bons compartilhados com o brasileiro.

Ao menos dois de seus colegas substituíram suas fotos de perfil pela do estudante pedindo justiça e indicando luto pela morte. O iG tentou contatar a família do brasileiro, mas ainda não obteve resposta.

De acordo com o blog This Australian Life, há informações de que o brasileiro teria sido perseguido e atacado com gás de pimenta e arma de eletrochoque pela polícia de Sydney ao redor das 5h30 de domingo, 18 de março.

De acordo com o jornal, a polícia tentou prender o brasileiro por acreditar que ele era um suspeito de ter roubado um pacote de biscoitos de uma loja de conveniência cerca de meia hora antes. O jovem teria resistido à prisão, corrido e sido perseguido por policiais, que usaram a arma de eletrochoque Taser.

Segundo o blog, testemunhas indicaram que a vítima não tinha nada nas mãos e estava desarmada. Também há indicações de que o taser foi usado até quatro vezes contra ele, sendo três quando estava caído no chão.

Segundo a polícia, Laudisio entrou em uma loja pedindo ajuda e dizendo que o mundo acabaria. Depois disso, roubou um pacote de biscoitos e fugiu. Na perseguição, conseguiu se desvencilhar dos agentes em várias ocasiões, mas finalmente acabou controlado após a utilização dos "tasers".

Reprodução/ Facebook
Amigos postaram no Facebook fotos com Roberto Laudisio (D), morto por policiais em Sydney, Austrália
De acordo com policiais citados pelo jornal The Sydney Morning Herald, o jovem parecia estar sob efeito de álcool ou drogas no momento da tentativa de prisão e um exame toxicológico estava previsto para ser realizado nesta segunda-feira. Testemunhas, também segunda a publicação, disseram que o jovem correu sem camisa enquanto gritava por ajuda.

Uma gravação divulgada por uma TV local mostra seis policiais perseguindo um homem sem camisa, mas os amigos de Laudisio não acreditam que seja ele na filmagem.

Laudisio foi visto pela última vez no sábado à noite, quando saiu com amigos, disse o This Australian Life. Ele tomou um táxi sozinho para ir para casa, mas não chegou. No dia seguinte, também segundo o blog, sua irmã que também vive na Austrália foi à polícia e soube que ele estava morto.

EFE
Polícia australiana faz perícia no local da morte do brasileiro

Segundo o Sydney Morning Herald, a morte do brasileiro levantou um debate sobre armas de eletrochoque na Austrália, usadas pela polícia 826 vezes em 2011, de acordo com dados do governo. O país permite o uso do armamento para imobilizar suspeitos em incidentes nos quais a vida de policiais estiver em jogo ou quando “confrontação violenta ou resistência está acontecendo ou é iminente”.

Vídeo divulgado por TV Ten News supostamente mostra agressão a brasileiro:

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