Brasileiro está entre as vítimas de acidente aéreo em Madri, diz Itamaraty

SÃO PAULO - O Itamaraty confirmou na manhã desta quinta-feira que uma das vítimas do acidente que matou 153 pessoas em Madri, Ronaldo Gomes Silva, de 27 anos, era brasileira.

Redação com agências internacionais |

Segundo Bento Lopes de Brito, tio da vítima, o brasileiro morava havia quatro anos em Londres, na Inglaterra, e veio ao Brasil no último mês para se casar com a espanhola Yanina Celis Dibowsky. "Ele voltou para Londres com a mulher e depois foram para a Espanha", disse o tio. Yanina também estava no avião que caiu e pegou fogo no aeroporto de Barajas, em Madri.

Rosana Gomes Silva, irmã de Ronaldo, afirmou que o jovem havia se casado em julho na cidade de São Paulo com a espanhola e ambos pretendiam passar a lua de mel atrasada nas ilhas Canárias.

"Vi cenas do acidente na televisão, mas foi o sogro de meu irmão que entrou em contato com amigos em São Paulo, encarregados de nos avisar que os dois haviam morrido", disse Rosana Gomes Silva.

Ainda de acordo com o tio de Ronaldo, os corpos do brasileiro e da espanhola já foram identificados nesta madrugada pelo sogro da vítima, pai de Yanina, que mora em Madri. "Nós exigimos que Ronaldo seja enterrado aqui em Ourilândia. Já estamos fazendo os preparativos para que ele seja velado na Câmara Municipal da cidade", afirmou Brito.

Ronaldo Gomes Silva nasceu em Rondon, no Pará, mas morou a maior parte da vida em Ourilândia, também no Pará. Em 2004, se mudou para Londres, na Inglaterra, e trabalhava ilegalmente no país.

Segundo informações provenientes de outras embaixadas, no vôo haveria ainda vítimas francesas, suecas, búlgaras e colombianas.


Avião da Spanair ficou totalmente destruído / EFE

O acidente

O acidente ocorreu pouco antes das 15h locais (10h de Brasília) da última quarta-feira, quando o avião, um McDonnell Douglas MD82 da companhia Spanair, com 162 passageiros e dez tripulantes a bordo, caiu perto de uma das pistas do aeroporto madrilenho de Barajas e pegou fogo. A lista de passageiros já foi divulgada. 

A Spanair informou nesta quinta-feira que o acidente pode ter sido causado por um problema de superaquecimento em uma das turbinas.

Segundo a empresa, a aeronave teve um problema de superaquecimento antes de iniciar a manobra para decolar pela primeira vez. O avião voltou para a porta do hangar e o problema "foi tratado e isolado" pelo pessoal da companhia aérea, que o liberou para voar, segundo a Spanair.

Na segunda tentativa de decolagem, uma das turbinas teria pegado fogo, causando o acidente fatal.

Testemunhas citadas pela rede de TV Telemadrid disseram que o motor esquerdo do avião começou a pegar fogo logo depois da decolagem, às 14h30 de quarta-feira (9h30, horário de Brasília).

A Spanair lamentou em seu site o acidente e ofereceu um número de telefone para facilitar a comunicação entre a empresa e os familiares das vítimas.

Veja as primeiras imagens do acidente abaixo:

Caixa-preta recuperada

As caixas-pretas do avião foram recuperadas e serão o principal elemento da investigação sobre o acidente mais grave já ocorrido na Espanha desde 1985.

Um juiz de Madri comandará de maneira imediata a investigação do acidente e ordenará um relatório sobre o conteúdo das caixas-pretas da aeronave acidentada.

Fontes jurídicas informaram que o magistrado foi ao aeroporto, à frente de uma comissão judicial, para averiguar de perto informações sobre o número de vítimas.


Ambulâncias fazem fila para efetuar o resgate em Madri / EFE

MD-82

O avião acidentado era um MD-82 , fabricado pela norte-americana McDonnell Douglas. Seu primeiro vôo foi em novembro de 1993, quando ainda pertencia à Air Korea, baseada em Seoul. A aeronave foi vendida para a Spanair em julho de 1999.

A Spanair tem 36 exemplares da família MD-80 em sua frota, segundo o site da companhia espanhola. A americana American Airlines possui atualmente a maior frota mundial de MD-80, com 275 aparelhos, informa a Boeing em seu site.

Acidentes em Barajas

Os dois últimos acidentes com vítimas no aeroporto de Barajas ocorreram em 1983. Em 27 de novembro daquele ano, 181 pessoas morreram e 11 se salvaram devido à queda de um Boeing 747 da companhia colombiana Avianca perto do aeroporto de Madri. O avião se preparava para aterrissar em Barajas.

Dias depois, em 7 de dezembro, 93 pessoas morreram e 31 ficaram feridas devido à colisão na pista de decolagem do aeroporto de Barajas entre um Boeing 727 da Iberia e um DC-9 da Aviaco, incidente causado pela existência de nevoeiro.

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* Com AFP e EFE

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