Brasileiro é um dos 355 mortos em incêndio em prisão, diz Honduras

Chancelaria de país notifica Itamaraty, que trabalha com autoridades hondurenhas para confirmar a identidade da vítima

iG São Paulo |

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil foi notificado pela chancelaria de Hondurenhas de que um brasileiro está entre um dos 355 mortos no incêndio de quarta-feira na Colônia Agrícola Penal de Comayagua, no centro do país. Contatada pelo iG , a assessoria de imprensa do Itamaraty afirmou que trabalha em conjunto com as autoridades hondurenhas para confirmar a identidade da vítima.

Presos sem julgamento: Relatório mostra precariedade de prisão em Honduras

AFP
Presos se reúnem em setor não afetado por incêndio que atingiu penitenciária de Comayagua, Honduras
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O incêndio, que teve início na noite de terça-feira, é o pior já registrado em um presídio latino-americano . Apesar de ter capacidade para 400 detentos, a prisão estava com 851 no momento do incêndio supostamente iniciado por um preso que ateou fogo a um colchão.

Previamente, a coordenadora dos procuradores do Ministério Público de Honduras, Danelia Ferrera, afirmou ao jornal La Prensa que, além do brasileiro, haveria um mexicano, um guatemalteco e um salvadorenho entre os mortos. Também de acordo com Ferrera, uma das vítimas seria uma mulher que estava registrada como visitante na prisão, mas cuja saída não foi notificada.

Segundo Ferrera, 20 presos estão hospitalizados e há 477 na prisão, indicando que ninguém fugiu durante o incêndio, ao contrário do que se suspeitava a princípio. De acordo com a rede britânica BBC, os presos estão dormindo a apenas alguns metros dos corpos de seus companheiros mortos, que ainda precisam ser transportados pelo IML local por soldados hondurenhos e americanos.

O ministro da Segurança de Honduras, Pompello Bonilla, reconheceu que por enquanto há poucas alternativas para realojá-los. "Somos um país pobre. E nos últimos anos têm aumentado o crime organizado e o narcotráfico. Isso impediu que déssemos uma resposta cabal ao tema" da superlotação dos presídios, disse.

Superlotação

A mãe de um dos detentos que sobreviveram ao incêndio reclama da superlotação relatada pelo filho.
Como outros parentes de presos, ela estava diante da porta do presídio, onde reina um clima de desconfiança e resignação. "Onde estão as chaves das celas que não abriram?", gritou desesperada outra mulher diante de uma fileira de policiais.

O incêndio no presídio evidenciou as carências em protocolos de emergência, e alguns presos disseram que ninguém destrancou suas celas quando as chamas chegaram, que as saídas estavam bloqueadas e que, para escapar, tiveram de derrubar paredes.

Na quarta-feira, o presidente de Honduras, Porfirio Lobo, prometeu uma investigação para apurar as responsabilidades pela tragédia e removeu os funcionários responsáveis pela administração carcerária.

Em 2003 e 2004, houve registros de incêndios fatais nas cidades de Ceiba e San Pedro Sula. Mas, como ocorre também em outros países da região, o sistema penitenciário hondurenho ficou à mercê de gangues criminosas que operam por trás das grades.

Agora, o país debate uma reforma drástica no setor, incluindo a possibilidade de privatizar os presídios ou oferecer suas concessões à iniciativa privada, disse o ministro de Obras Públicas Miguel Rodrigo Pastor.

*Com BBC e EFE

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