Um brasileiro que colocou uma bomba falsa em uma ponte, enviou pacotes com pó branco e cartas com mensagens racistas a uma série de pessoas na Grã-Bretanha foi condenado nesta sexta-feira a quatro anos de prisão por um tribunal do país. Jefferson Azevedo, de 45 anos, trabalhava como carteiro e é radicado na cidade de Portsmouth, no sul da Inglaterra.

BBC
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Brasileiro tem sérios problemas psiquiátricos
Ele reconheceu ter praticado pelo menos 19 crimes, oito deles previstos na lei antiterrorismo britânica. Outras 140 acusações foram consideradas no julgamento.

No total, Azevedo ameaçou entre 2003 e 2007 um total de 150 indivíduos e organizações. Os pacotes com pó branco levantavam a suspeita de conter a bactéria antraz, que pode provocar a morte.

As acusações de violação da lei antiterrorismo se referiam a "trotes envolvendo substâncias ou coisas nocivas", incluindo o pó branco.

Alguns dos pacotes enviadas pelo brasileiro continham soda cáustica, o que provocou queimaduras leves em pelo menos uma pessoa.

Blair

O brasileiro, diagnosticado com vários problemas psiquiátricos, assinava as cartas com a sigla RAHOWA - as iniciais das palavras Racist Holy War (Guerra Santa Racista), usada no passado por grupos racistas americanos.

O ex-primeiro-ministro Tony Blair foi um dos destinatários das cartas enviadas por Azevedo, que também mandou envelopes a escolas, parlamentares, organizações de caridade, empresas de comunicação, mesquitas e igrejas.

Aparentemente, as vítimas foram escolhidas pelo apoio a estrangeiros radicados na Grã-Bretanha.

Em fevereiro de 2007, Azevedo colocou uma bomba falsa, juntamente com uma bandeira com uma suástica, em uma passarela em uma estrada perto da cidade inglesa de Havant.

A ameaça levou a polícia a fechar a via, o que provocou um grande congestionamento.

"Maldade explícita"

O carteiro só foi descoberto após ter sido preso ao agredir sua namorada, em dezembro do ano passado. Um teste de DNA provou a ligação dele com as cartas.

"Considero um fator agravante significativo neste caso a maldade explícita dirigida a indivíduos", disse o juiz Peter Testar, ao pronunciar o veredicto. "Não posso ignorar o fato de que esses crimes parecem ter tido motivação racial."

O juiz disse que, aparentemente, a "campanha de terror" de Azevedo começou depois que ele ficou revoltado com a aparente falta de apoio das autoridades a sua namorada, uma inglesa, quando o filho deles nasceu.

Testar afirmou que o brasileiro considerava que os recursos que ela deveria ter recebido foram distribuídos de forma "desproporcional a outros na comunidade".

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