Brasileiro diz ser 'moeda de troca' no Chile

Ao iG, brasileiro no sul do país conta situação de turistas presos por manifestantes contrários ao aumento do preço do gás

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Protestos contra o aumento do preço do gás fizeram com que brasileiros ficassem presos em cidades da região do Estreito de Magalhães, no sul do Chile.

Na cidade de Puerto Natales, o radialista Guilherme Miquelutti, de 29 anos, contou que um grupo de 50 turistas brasileiros ocuparam a prefeitura e reivindicaram das autoridades locais uma resolução, mas o prefeito Fernando Paredes Mansilla rejeitou se opor aos manifestantes, uma vez que também é contrário ao reajuste. “O prefeito chegou a dizer que éramos moedas de troca”, contou Miquelutti ao iG .

Juntamente com o amigo Artur da Silva Reis, de 30 anos, Miquelutti chegou a Puerto Natales na segunda-feira do dia 10, dois dias antes dos protestos em Punta Arenas – cidade vizinha, que fica a 3 mil km de Santiago – onde dois morreram e quatro ficaram feridos após o fracasso do diálogo entre o governo e dirigentes locais sobre um acordo para evitar o aumento em 17% do preço do gás.

Arquivo pessoal
Foto cedida por brasileira presa no sul do Chile mostra turistas em Puerto Natales
As manifestações são vistas como o primeiro grande desafio político do presidente Sebastián Piñera neste ano.

Com o início dos protestos, manifestantes bloquearam estradas, portos marítimos e vias de acesso aos aeroportos. Também exigiram o fechamento de estabelecimentos comerciais. “Acessos por terra foram fechados, empresas de barco não saem. Companhias de turismo e restaurantes pararam. Um deles tentou abrir no dia em que começou a greve, mas foi apedrejado. Houve quem tentasse caminhar até a fronteira, mas acabou detido”, contou.

Miquelutti explicou que há estrangeiros de 30 nacionalidades isolados em Punta Arenas, capital da província, em Puerto Natales e também no Parque Nacional de Torres Del Paine, que atrai turistas interessados em atividades como trecking.

Representação

Segundo o turista, o Itamaraty ainda não fez contato direto com os grupos de brasileiros isolados no sul do Chile. A prefeitura de Puerto Natales elegeu a Cruz Vermelha como representante do turistas e cedeu uma escola para que a organização montasse um abrigo.

O Exército levou um fogão industrial para cozinhar no local e, por enquanto, ninguém passa frio ou fome. Com as vias de acesso bloqueadas, no entanto, a previsão é que dentro de alguns dias não haja mais suprimentos na cidade.

Ao Poder Online, que antecipou a situação dos brasileiros na quinta-feira, o Itamaraty disse que ainda não há uma “posição concreta ” sobre o que o governo brasileiro fará para retirar os turistas brasileiros do local. Segundo a assessoria de imprensa, o Ministério das Relações Exteriores está acompanhando o caso e avaliando o que pode ser feito. A recomendação é que os brasileiros tentem postergar o voo de saída do Chile. As embaixadas dos Estados Unidos e da Itália já têm representantes na cidade para negociar com os grevistas.

Na quinta-feira foi formada uma mesa de negociação entre autoridades centrais, regionais e a Assembleia Cidadã, que tem promovido os protestos. A Igreja Católica, por sua vez, dispôs o bispo da cidade, Bernardo Bastres, para ser mediador.

Os moradores do Estreito de Magalhães utilizam o gás em média 17 horas por dia, por causa dos ventos gelados e das baixas temperaturas durante todo o ano, que ficam em torno de 5 graus.

Uma medida política permite que as tarifas dessa região sejam oito vezes menores do que no resto do Chile. Os habitantes resolveram iniciar a greve alegando que Piñera estaria descumprindo sua promessa de campanha de não elevar a tarifa do combustível na região.

*Com Ansa

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