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Brasileiro denuncia tratamento escravo em relatório britânico

Um relatório divulgado neste sábado pela Comissão de Direitos Humanos e Igualdade (CDHI) do governo da Grã-Bretanha afirma que milhares de empregados da indústria britânica de processamento de carne sofrem maus-tratos. O documento afirma que um em cada cinco empregados do ramo já foi empurrado ou agredido e destaca a denúncia de um brasileiro que trabalha no leste da Inglaterra.

BBC Brasil |

"Eu nunca vou me esquecer daquilo. Não sou escravo, só não falo inglês. Ele falou comigo como se eu fosse um animal ou alguma coisa assim. É tão horrível. Às vezes nem consigo dormir à noite, porque no dia seguinte preciso ir para aquele lugar horrível outra vez", diz o brasileiro no relatório.

Entre as denúncias ouvidas pela comissão estão funcionários que teriam sido alvo de hambúrgueres congelados atirados por gerentes e mulheres grávidas que teriam sido obrigadas a ficar de pé durante longos períodos ou mesmo carregar peso, sob ameaças de demissão.

Imigrantes
Abusos verbais seriam ainda mais comuns. De acordo com a comissão, um terço dos entrevistados foi vítima ou testemunhou agressões verbais no local de trabalho.

Mesmo ir ao banheiro pode ser um problema para empregados da indústria da carne, segundo o relatório da CDHI. Há denúncias de pessoas que se sentem humilhadas por acabar se urinando na linha de produção, depois de não obter autorização para ir ao banheiro.

O relatório é especialmente revelador sobre as condições enfrentadas por imigrantes, já que um terço dos empregados permanentes e dois terços dos temporários seriam estrangeiros, embora a comissão destaque que o tratamento dispensado aos britânicos seja igualmente ruim.

Segundo o levantamento algumas agências de emprego que trabalham para a indústria da carne ameaçam imigrantes de não lhes oferecer mais trabalho caso não aceitem as ofertas imediatamente. Mesmo mulheres grávidas ou pessoas doentes seriam forçadas a aceitar trabalhos, até depois de longas jornadas.

Entre os entrevistados da comissão, 70% afirmaram ter sido tratados de forma diferente tanto por empregadores quanto por agências de trabalho por causa de sua raça ou nacionalidade.

Favorecimento
A CDHI também afirma que vários disseram que gerentes estrangeiros tendem a favorecer seus conterrâneos no que diz respeito à alocação, escalas e acesso a equipamento de proteção, além de facilitar a contratação para cargos permanentes.

A reclamação mais comum é que determinadas nacionalidades frequentemente são escolhidas para realizar as tarefas mais pesadas ou desagradáveis.

A comissão descobriu que a falta de domínio do inglês é um fator importante no tratamento dispensado aos funcionários. Aqueles que não dominam a língua acabam sendo vítimas mais frequentes de maus tratos.

O relatório afirma que 80% da carne processada pela indústria de processamento é fornecida às grandes redes de supermercados e sugere que essas cadeias assumam uma responsabilidade maior pelas condições de trabalho na indústria como um todo.

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