Brasileiro Artur Barrio ganha retrospectiva no México

México, 28 abr (EFE).- O artista brasileiro de origem portuguesa Artur Barrio inaugurará nesta quarta-feira, no Museu Rufino Tamayo, no México, uma retrospectiva de sua obra realizada entre 1969 e 1979, e uma nova instalação que confirma seu estilo com o uso de materiais baratos e perecíveis.

EFE |

Barrio, que nasceu na cidade de Porto, em Portugal, em 1945, ficou conhecido por utilizar materiais simples e muitas vezes orgânicos como: sangue, ossos, cabelos, carne, papel higiênico, café, lâmina de barbear, algodões, terra, entre outros, todos utilizados em espaços públicos.

"Entre 1969 e 1970 eu estava na Escola Nacional de Belas Artes e entendi que minha realidade financeira não permitia grandes processos, portanto trabalhei com materiais simples, disponíveis", explicou à Agência Efe o artista durante a apresentação da mostra, que poderá ser visita entre os dias 30 de abril e 24 de agosto.

A exposição contará com registros de obras que Barrio realizou no Brasil e na Europa e que por seu caráter "temporal e efêmero" não têm como ser expostos novamente.

Dentre esses registros estão fotos de arquivos digitais e filmagens em 8 e 16 milímetros realizadas pelo próprio Barrio, além de seus "CadernosLivros".

Os "cadernos" são como diários ou blogs onde o artista escreve suas idéias e podem ser vistos como "embriões" de seu trabalho.

Neles existem registros documentais de suas obras, que reúnem informações em diversas plataformas como: textos, desenhos, pinturas e colagens de materiais, que vão desde fotografias a simples objetos como, por exemplo, um pente ou até mesmo seu próprio cabelo.

Sobre a nova instalação, Barrio disse que lhe deram "espaço para experimentar sua criatividade", e que ele utilizou, por assim, dizer, sua oficina.

O curador da exposição, Tobias Ostrander, destacou que nesta instalação transparece o interesse de Barrio de "romper os muros do museu".

Uma das salas foi pintada metade de branco e metade de preto, "como uma referência celestial", segundo Ostrander, e está cheia de lixo e café - materiais com os quais o artista pretende provocar uma reação de "alerta" nos visitantes.

Barrio realizou, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), várias obras utilizando ossos e sangue com o interesse de provocar em espaços públicos "uma reflexão sobre o sangue e a 'sujeira' dessa época", transportando para espaços públicos todas as coisas que o povo não queria ver, lembrou Ostrander.

"É interessante como hoje dia, onde há guerras, não estamos vendo o sangue, a violência nem os problemas que estas guerras estão passando. Sua obra provoca essa reflexão mais uma vez nos dias de hoje", sustentou.

O crítico de arte espanhol Adolfo Montejo lembrou que Barrio teve que realizar muitas de suas instalações quase em anonimato por medo da ditadura, e destacou a simbologia política e sócio-econômica da obra do artista. EFE lga/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG