Brasileiras são baleadas por militar na Espanha

Duas brasileiras foram baleadas na noite de quarta-feira na cidade de Alcantarilla, na Espanha, por um militar, segundo a polícia espanhola. O espanhol, que namorava uma das brasileiras e tinha antecedentes de agressão a mulheres, matou a primeira vítima com um tiro na cabeça na porta da casa dela por uma discussão.

BBC Brasil |

A segunda mulher levou um tiro quando tentava evitar o crime e permanece internada no hospital Virgen de la Arrixaca de Múrcia.

Segundo a polícia espanhola, que ainda não divulgou a identidade de nenhum dos três envolvidos, as mulheres teriam entre 20 e 30 anos, e o agressor, por volta de 40.

A discussão aconteceu na rua e foi vista por várias testemunhas. Uma delas chamou o número de emergência e quando a ambulância chegou, já encontrou morta a namorada do agressor, com um tiro na cabeça.

Tentativa de suicídio

Segundo a polícia, o militar é pára-quedista da base de Alcantarilla e, depois de atirar nas mulheres, tentou fugir em direção à cidade de Alicante, no litoral mediterrâneo.

Identificado por testemunhas, ele dirigiu por quase seis horas até ser cercado pela polícia por volta das 2h30 da madrugada desta quinta-feira.

Quando viu que não poderia escapar, tentou o suicídio atirando na própria cabeça, disse a polícia.

Está em estado grave no mesmo hospital onde foi internada a brasileira que sobreviveu.

Segundo a polícia, o militar já tinha sido denunciado por uma ex-namorada, acusado de agressões físicas, mas não foi processado, nem tinha causas legais pendentes.

Violência de gênero

O caso, considerado crime de violência de gênero, voltou a colocar as brasileiras na lista de mulheres assassinadas por maridos e namorados na Espanha. No ano passado 89 vítimas morreram por agressões de companheiros no país, sendo sete brasileiras.

Até o segundo dia de outubro de 2008 já são 72 crimes, de acordo com as estatísticas da ONG Rede Estatal Feminista Contra a Violência de Gênero.

Oficialmente foram seis brasileiras mortas em 2008, mas poderiam ser mais, já que a polícia informou à BBC Brasil que a nova lei de Proteção Integral Contra a Violência de Gênero recomenda não revelar as nacionalidades de vítimas e agressores com o objetivo de evitar acusações de xenofobia contra algumas nacionalidades.

Segundo o relatório do Ministério de Administrações Públicas, o número de agressões entre casais imigrantes aumentou em 14% no primeiro semestre de 2008 em relação ao ano anterior. Do total de crimes 45,38% das vítimas eram estrangeiras e 48,11% dos agressores também.

O governo brasileiro na Espanha não tem estatísticas sobre o assunto e afirma que pouco pode fazer para ajudar as vítimas em casos como esses.

"Nossa amostra é pouco significativa porque as pessoas raramente vão aos consulados brasileiros à procura de ajuda. Até porque são casos policiais, não consulares. O que podemos fazer é instruir ou ajudar a encaminhar à polícia, se a pessoa não tiver recursos culturais para denunciar", disse o Cônsul do Brasil em Madri, Gelson Fonseca.

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