Brasileira segue presa e com documentos retidos

Cineasta Iara Lee recebe visita de funcionário de embaixada brasileira nesta terça-feira e aguarda deportação

iG São Paulo |

A cineasta brasileira Iara Lee, que estava em uma das embarcações que integravam a frota de ajuda humanitária a Gaza atacada por Israel na segunda-feira, está bem de saúde e segue detida na prisão de El'A, em Be'er Sheva, em Israel.

Iara Lee recebeu nesta terça-feira pela manhã uma visita nesta terça-feira de um funcionário da embaixada brasileira em Israel. Segundo informações da embaixada, Iara Lee confirmou dispor de alimentos e roupas adequadas na prisão.

Por meio do telefone celular do funcionário da embaixada, Iara Lee entrou em contato com membros de sua família e deixou recado para a irmã, residente em Nova York. A cineasta afirmou que as autoridades israelenses não permitiram que ela entrasse em contato com a embaixada brasileira e reclamou que suas bagagens e passaportes (brasileiro e americano) continuam retidos por Israel. De acordo com a embaixada, a brasileira estava na lista de passageiros da frota como cidadã americana. Ela vive em Nova York há 20 anos.

Iara Lee explicou ao funcionário da embaixada do Brasil que as autoridades israelenses exigiram, como condição para a sua libertação, que ela assinasse termo declarando ter entrado ilegalmente em Israel. Iara Lee informou que não pretende assinar o documento, uma vez que foi presa pelas forças israelenses em águas internacionais.

De acordo com a diplomacia brasileira, o governo do País segue em contato permanente com as autoridades israelenses, instando-as a que libertem pronta e incondicionalmente a brasileira, como também exigiu o Conselho de Segurança da ONU após reunião na última segunda-feira.

Deportação

Na última segunda-feira, o porta-voz da Embaixada de Israel em Brasília, Raphael Singer, afirmou que Iara Lee será deportada . Ainda não há data definida para a deportação.

Segundo Singer, a cineasta estava no "Mavi Marmara", o barco-almirante turco do comboio de seis navios que planejavam entregar suprimentos à Faixa de Gaza, território palestino que está sob bloqueio de Israel desde 2007. Após o ataque, que deixou nove mortos, a embarcação com 581 pessoas foi levada ao porto da cidade israelense de Ashdod.

Aos ativistas da embarcação, Israel deu duas opções: retornar a seus países de origem voluntariamente ou ser deportados. Como Iara rejeitou a primeira opção, será deportada. Singer não esclareceu, porém, exatamente quando isso vai ocorrer, apenas dizendo que "isso vai acontecer de forma muito rápida". "Não é do interesse de Israel, que eles (os ativistas) fiquem lá", acrescentou.

O governo brasileiro demonstrou nesta segunda-feira "choque e consternação" com o ataque de Israel ao um comboio de navios e chamou o embaixador israelense no Brasil para manifestar "indignação" com o incidente. "Não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário", disse a chancelaria em nota.

Israel impõe há anos um bloqueio comercial que limita o acesso de alimentos, remédios e produtos ao território palestino e impede a circulação de pessoas. A condenação brasileira seguiu a reação mundial negativa à ação israelense contra a frota de navios que levava ajuda humanitária a Gaza e que matou ao menos nove ativistas.

* Com reportagem de Luisa Pécora

    Leia tudo sobre: IsraelFaixa de Gaza

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG