Em entrevista ao iG, pai de modelo capixaba Jeniffer Viturino diz duvidar que filha 'exemplar' tenha cometido suicídio

Reprodução
A modelo brasileiro Jeniffer Viturino, em foto publicada pela revista portuguesa "J"
A capixaba Jeniffer Viturino ainda era uma criança quando disse ao pai, Girley: “Papai, um dia vou ser modelo e vou poder te ajudar”. Tendo Gisele Bündchen como ícone, a jovem viu sua carreira começar a deslanchar em Portugal, mas também foi lá que o sonho acabou. Aos 17 anos, Jeniffer morreu na sexta-feira ao cair do 15º andar de um prédio na capital portuguesa, Lisboa.

A jovem vivia em Portugal há cerca de três anos e meio com a mãe, Solange, o padrasto e o irmão, Johnathan. Com a ajuda da mãe de uma amiga, que era dona de uma agência de modelos, conseguiu mais trabalhos, venceu concursos e foi capa de revista.

De Vitória, no Espírito Santo, Girley acompanhava as conquistas da filha. “Ela estava fazendo três desfiles por semana e já não dependia de nós para nada”, contou o pai, em entrevista ao iG . “Além disso, continuava estudando, incluindo francês, inglês e português.”

Há cerca de um ano, Girley recebeu uma ligação do empresário português Miguel Alves da Silva, herdeiro de uma fortuna ligada à aviação, que queria pedir a mão de sua filha em namoro. “Ele se mostrou muito cortês, gentil, tranquilo”, afirmou. Foi da janela do apartamento do empresário que Jennifer caiu na sexta-feira. O pai nunca soube de problemas no relacionamento do casal, mas a mãe, Solange, disse a jornais portugueses que Miguel era namorador e que a relação passava por uma fase conturbada.

Apesar de evitar acusar o empresário de estar envolvido no caso, Girley considera “estranho” o fato de ele ter demorado cerca de três horas para avisar a família de Jeniffer sobre o que tinha acontecido. “Isso me deixou com a pulga atrás da orelha”, afirmou.

A imprensa portuguesa afirmou que Miguel estava no apartamento de onde Jeniffer caiu e onde a polícia encontrou um bilhete supostamente deixado por ela antes de cometer suicídio. A mãe da jovem disse que a letra era parecida com a dela, mas que o modo de escrever era diferente, como se ela tivesse sido forçada.

Pela personalidade de Jeniffer, Girley duvida da hipótese de suicídio. “Minha filha era como eu: quando tinha um problema ou sentia raiva, se trancava no quarto e ficava calada”, contou. “No dia da morte, antes de ir para a casa do namorado, ela estava bem, alegre, abraçou a mãe.”

Apesar de falar em tom calmo, Girley se disse “indignado” com a morte da filha. No Facebook, amigos e familiares também postaram mensagens de luto e disseram-se inconformados. “Ela era amável, meiga, obediente, uma filha exemplar, um doce de pessoa. Não tinha interesse nenhum, era maravilhosa”, afirmou o pai. “Não bebia, não fumava, sempre foi centrada, inteligente e responsável.”

Ao lado da irmã da ex-mulher, Girley embarca nesta segunda-feira para Portugal para acompanhar de perto a investigação sobre o crime. Segundo ele, a polícia deu poucos detalhes sobre o caso até mesmo para a família, e mais informações só devem ser conhecidas depois que o corpo da jovem for liberado, o que deve acontecerm na terça-feira.

A família já solicitou apoio diplomático nas investigações. Procurado pelo iG , o Itamaraty disse estar acompanhando o caso de perto.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.