Brasileira diz à polícia suíça que sofreu aborto em banheiro de estação após agressão

A polícia de Zurique afirmou nesta quinta-feira em um comunicado que a advogada brasileira Paula Oliveira, que teria sido agredida por neonazistas na cidade, disse a investigadores que sofreu um aborto logo depois do ataque, na segunda-feira.

BBC Brasil |

"A mulher diz que foi atacada por três homens, que a atingiram com chutes e a feriram com um estilete", diz a nota. "Além disso, ela disse que estava grávida e que, após o ocorrido, teve um aborto dentro do banheiro próximo da estação."

"A mulher foi levada para o hospital para realizar mais exames e foi realizada uma ampla busca no local do crime", acrescenta o comunicado. "Não é possível dar mais informações sobre os exames médicos."

A polícia também confirmou que Paula foi encontrada com "ferimentos superficiais de objetos cortantes" na pele e que, neles, "podiam ser reconhecidas em diversas partes do corpo letras isoladas".

Fotos da brasileira divulgadas pela imprensa no Brasil mostram que, nas pernas de Paula, é possível ler a sigla "SVP" escrita com cortes. A sigla é a mesma de um partido político suíço de plataforma nacionalista .


Agressores marcaram brasileira com sigla de partido de extrema direita / AE

O comunicado diz que a " circunstância que levou a esses ferimentos não está clara " e que a polícia "investiga e procura testemunhas".

Ataque na segunda-feira

A polícia afirma no comunicado que recebeu uma ligação às 19h30 de segunda-feira de um homem que pedia ajuda para a brasileira, que estava na estação de trem Stettbach.

"As circuntâncias exatas do incidentes não estão claras. A polícia investiga em todas as direções. Pedimos a pessoas que estavam no local pouco depois das 19h30 e que tenham observado algo suspeito que entrem em contato com a polícia".

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou na noite da quarta-feira o relato de Paula sobre o episódio em Zurique.

No momento da agressão, segundo o Itamaraty, ela estaria falando ao telefone celular em português com a mãe, o que reforçaria a hipótese de que o crime teria sido cometido por um grupo xenófobo.


Paula ficou com o corpo marcado após agressão / AE

O Itamaraty informou ainda que Paula recebeu a visita de um funcionário do consulado brasileiro em Zurique.

A cônsul-geral do Brasil na cidade, Vitória Clever, está em contato com as autoridades suíças para acompanhar as investigações sobre o caso. O pai da brasileira já desembarcou em Zurique para acompanhar a recuperação da filha.

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