O Brasil vive uma revolução silenciosa com a recuperação da auto-estima da sociedade e está preparado para se tornar uma grande nação no século 21, afirmou nesta quinta-feira, em Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita durante um discurso a empresários e investidores no seminário Investindo no Brasil, organizado em parceria pelos jornais Financial Times, da Grã-Bretanha, e Valor Econômico, do Brasil.

"Estamos vivendo um momento quase mágico", disse o presidente, após afirmar que o Brasil "cansou de ser o país do futuro" e não quer perder "nenhuma oportunidade" no século 21. "O século 21 é o século do Brasil", afirmou Lula.

O presidente defendeu que os programas sociais do governo e os avanços econômicos do país estão promovendo no país um "milagre da transformação", que ainda não estaria sendo medido pelos especialistas e pelos institutos de pesquisa.

Lula citou o caso de uma mulher que conheceu recentemente que tomou R$ 50 emprestados para fazer pastéis e vendê-los em uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no ano passado e que hoje estaria servindo 400 refeições por dia na obra e já teria conseguido comprar um carro e uma moto.

"Ela me contou com orgulho que já tinha pago R$ 5 mil de imposto de renda", disse o presidente. "É fantástico que uma pessoa que há um ano e meio não tinha nem R$ 50 já tem um carro, uma motocicleta, um restaurante e já está pagando imposto."
Participação do Estado
Após falar à plateia sobre os ajustes realizados na economia no início de seu primeiro mandato presidencial, Lula disse que a crise serviu para mostrar que os países que tiveram uma maior participação do Estado sobre a economia sentiram menos os efeitos da crise.

"A classe política mundial precisa aprender que somos eleitos para governar, e estávamos habituados a pensar que não precisávamos governar porque o mercado resolveria tudo", disse Lula.

"O mercado pode resolver uma parte substancial das coisas do país, mas tem coisas que o mercado não consegue resolver, porque não é papel do mercado", acrescentou. "O mercado não faz política social, é o Estado que tem que fazer. O mercado não cria um programa como o Luz para Todos, ou o Bolsa Família, isso tem que ser política de Estado."
Lula sugeriu que a crise econômica mundial poderia ter sido evitada ou amenizada se o ex-presidente americano George W. Bush, no fim do seu mandato, "tivesse tido as informações corretas e tomado as decisões corretas" para evitar a quebra do banco Lehman Brothers.

"Possivelmente, teria custado muito menos que os bilhões de dólares que tivemos que colocar nos mercados depois que o Lehman Brothers quebrou", afirmou.

"Essa crise, que chegou muito forte depois da quebra do Lehman Brothers, não precisaria ter chegado a essa profundidade se os governantes tivessem tomado medidas corretas na hora certa. É para isso que existe governo", disse.

Lula afirmou que, quando é cobrado pelos altos lucros dos bancos no Brasil, responde que prefere que eles continuem ganhando muito dinheiro, porque "quando eles quebram, o prejuízo é infindável".

Refundação
Ao final de seu discurso, o presidente brasileiro voltou a defender uma maior participação dos países emergentes nos organismos econômicos internacionais como o FMI e o Banco Mundial para refletir melhor a nova ordem global.

"Estamos avançando na refundação das instituições de Bretton Woods, mas ainda falta muito para restaurar uma governança financeira forte e transparente", disse.

Para Lula"novas estruturas e regras devem refletir a emergência dos países em desenvolvimento como atores indispensáveis em um mundo cada vez mais interdependente".

O seminário sobre oportunidades de investimento no Brasil foi o principal evento da visita de dois dias de Lula a Londres.

Ainda na tarde desta quinta-feira, o presidente se encontraria em uma audiência privada com a rainha Elizabeth 2ª, no Palácio de Buckingham.

Antes de retornar a Brasília, à noite, o presidente recebe um prêmio concedido pela Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais) por seus esforços para a melhoria das relações entre os países da América Latina.

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