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Brasil vira pólo de atração de siderúrgicas, diz WSJ

O Brasil está virando um importante pólo de atração de negócios no campo da siderurgia, em meio a mudanças na indústria mundial, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo Wall Street Journal, o WSJ.

BBC Brasil |

De acordo com o jornal, a luta pela matéria-prima está fazendo com que mineradoras se tornem produtoras de aço, e fabricantes comecem a procurar suas próprias minas para suprir a demanda.

Com reservas a serem exploradas, o Brasil teria se tornado especialmente atraente, segundo a reportagem. O preço do minério de ferro subiu mais de 80%, apenas neste ano.

Segundo especialistas ouvidos pelo Wall Street Journal, a diferença entre hoje e dez anos atrás é que hoje não há excesso de capacidade no mercado e as empresas têm que competir diretamente com as outras.

"A tendência a controlar a produção desde a matéria-prima até o produto final, conhecida como integração vertical, remonta o modo como a indústria operava há décadas, quando era comum que as siderúrgicas tivessem suas próprias minas", diz o jornal.

"A volta à integração vertical é mais evidente no Brasil, que tem vastas reservas de minério de ferro que permanecem intocadas ou disponíveis", diz o jornal.

Ouvido pelo WSJ, Lakshmi Mittal, executivo-chefe da Arcellor-Mittal, a maior produtora mundial de aço em volume, sediada em Luxemburgo, diz que "o Brasil é um lugar estratégico para a indústria do aço".

"Tem a matéria-prima. Tem o mercado. Tem o crescimento", diz Mittal.

O jornal ainda ressalta que no mês passado foram anunciados grandes investimentos na "acelerada economia do Brasil", citando os planos da ArcelorMittal de comprar minério de ferro brasileiro e desenvolver um porto para facilitar seu transporte, e a briga de um consórcio japonês para comprar minas da Companhia Siderúrgica Nacional.

"Enquanto isso, a Vale, a maior mineradora do mundo em volume, disse no mês passado que pretende construir um complexo siderúrgico de US$ 5 bilhões. A usina, a ser completada até 2013, vai ter capacidade de cerca de 2,5 toneladas, com a maioria da produção voltada para o uso doméstico."

A reportagem ainda comenta que, cheia de dinheiro graças a alta histórica no preço do minério de ferro, a Vale está procurando diversificar suas operações, mas ressalta que a empresa fracassou na tentativa de comprar a mineradora suíça Xstrata.

"Além do complexo siderúrgico, a Vale anunciou que está construindo uma fábrica de alumínio no Brasil, a ser alimentada com bauxita de suas minas. Ela também está investindo em joint ventures com fabricantes de aço, que comprariam a matéria-prima da própria Vale", diz o jornal.

O WSJ afirma que uma das razões que as siderúrgicas a ficarem de olho no Brasil é o fato de as ricas reservas de minério de ferro da Austrália estarem nas mãos da BHP Billiton e Rio Tinto, "o que não daria nenhuma oportunidade para novas empresas entrarem no mercado local".

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