Rio de Janeiro, 17 dez (EFE).- Os Governos de Brasil e Argentina assinaram hoje uma carta de intenções para a transferência de tecnologia que permitirá aos argentinos a produção da vacina contra a febre amarela.

O documento foi assinado no Rio de Janeiro pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e seu colega argentino, Juan Luis Manzur.

A intenção das partes é que o Ministério da Saúde transfira ao da Argentina a tecnologia utilizada para a fabricação da vacina pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"Com a transferência, a Argentina passará a ser a terceira produtora mundial dessa vacina estratégica, atrás do Brasil e da França. A saúde no Mercosul é uma agenda prioritária", disse Temporão a jornalistas.

A vacina brasileira contra a febre amarela é exportada atualmente para 50 países.

Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em 2008, o Brasil registrou 46 casos de febre amarela e 27 mortes, enquanto a Argentina, que atualmente importa a vacina brasileira, teve nove casos e três falecimentos.

Após a assinatura da carta de intenções, os dois países definirão nos próximos três meses os detalhes do contrato de transferência de tecnologia e a produção da vacina na Argentina.

Manzur destacou que a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, liberou "todos os recursos necessários para a implementação do projeto".

Sobre o combate conjunto ao dengue nas regiões fronteiriças, o ministro argentino disse que os dois países têm que unir esforços.

"A saúde não tem fronteiras. O vetor das doenças, que é o mosquito, por exemplo, não passa pela imigração", declarou Manzur.

Em outros acordos assinados no Rio de Janeiro, o Brasil se comprometeu a dar apoio técnico à Argentina para a instalação de bancos de leite materno e a participar da produção acadêmica da área de saúde pública dada nas universidades do país vizinho.

A Argentina, por sua parte, receberá em suas universidades profissionais brasileiros que farão mestrados em biologia molecular e celular, biotecnologia, epidemiologia e estatística, áreas nas quais os argentinos têm grande reconhecimento em nível mundial. EFE wgm/bba

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