Brasil vai propor Conselho Sul-Americano de Defesa em cúpula da Unasul

Brasília, 22 mai (EFE).- O Brasil vai propor a criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa na cúpula de chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), amanhã, em Brasília.

EFE |

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que nas últimas semanas visitou todos os países sul-americanos para expor sua proposta de integração militar, já antecipou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva submeterá a proposta aos demais chefes de Estado da Unasul.

O Conselho Sul-Americano de Defesa, segundo o Brasil, não supõe uma aliança militar convencional, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas um fórum para promover o diálogo entre ministros da Defesa da região.

A proposta é criar um mecanismo de integração que permita a discussão das realidades e necessidades em matéria de Defesa por parte dos países sul-americanos.

Também destaca a necessidade de se reduzirem conflitos e desconfianças, e de se fincar bases para uma futura formulação de uma política comum de segurança.

Seus princípios, segundo a proposta brasileira, seriam a não-intervenção e o respeito à soberania de cada país, à autodeterminação dos povos e à integridade territorial.

A discussão ocorrerá semanas depois do anúncio da Marinha dos Estados Unidos de que, a partir de 1º de julho próximo, a IV Frota Naval da maior potência militar do mundo voltará a navegar por mares da região.

Tal frota foi criada em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, para reforçar a defesa do continente contra ataques de aviões e submarinos alemães e japoneses, mas foi dissolvida cinco anos depois de terminado o conflito.

Jobim descarta que exista vinculação entre o anúncio dos Estados Unidos, criticado por Venezuela e Bolívia, e a proposta para aliar militarmente os países sul-americanos.

O ministro já debateu os dois assuntos tanto com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, como com o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Stephen Hadley, com quem esteve reunido nas últimas semanas no Brasil e em Washington.

Segundo Jobim, os dois dirigentes americanos garantiram que o relançamento da IV Frota Naval não pode ser interpretado como uma "provocação" dos EUA à América Latina e ao Caribe, ou a algum país em especial.

Em reunião realizada em Brasília na última semana com chefes militares do Cone Sul, o chefe do Comando Sul dos EUA, almirante James Stavridis, negou que a IV Frota seja uma força ofensiva e garantiu que seus objetivos serão reforçar a cooperação, ajudar na resposta a desastres naturais, reforçar missões de paz e combater o narcotráfico na América Latina.

Jobim também aproveitou os encontros com os dirigentes americanos para deixar claro que a melhor ajuda que os EUA podem dar ao projeto de criação do Conselho Sul-Americano de Defesa é manterem uma distância.

O ministro antecipou que algumas das funções do Conselho podem ser a formação de militares, o intercâmbio de oficiais, o fortalecimento da indústria regional de Defesa, a integração em missões de paz, a ajuda a regiões afetadas por desastres e a organização de exercícios conjuntos.

O mecanismo, segundo o ministro, pode garantir a estabilidade em uma região cobiçada por suas reservas de água, recursos energéticos e alimentos, e "prevenir" situações como a crise diplomática provocada pela recente incursão de tropas da Colômbia em território equatoriano.

Quanto à receptividade da idéia, Jobim disse que recebeu respostas entusiasmadas de países como Venezuela, Equador e Chile, e em especial dos presidentes Hugo Chávez e Michele Bachelet.

Indicou ainda que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, embora tenha sido "muito cauteloso", "não rejeitou a proposta" e prometeu "estudá-la minuciosamente".

Jobim acrescentou que Bogotá tem de levar em conta que poderia ser vítima de um isolamento na região. EFE cm/fr

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