Brasília, 13 mai (EFE).- O Brasil, que hoje comemora os 120 anos da abolição da escravidão, terá este ano maioria de população negra e mulata, revelou um estudo divulgado em Brasília pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O relatório, no entanto, aponta que a população negra e mulata continua apresentando a maior desigualdade no acesso a bens, serviços e direitos fundamentais, que seriam alcançados apenas dentro de cinco décadas.

Em 1976, os brancos representavam 57,2% da população, os negros e mulatos 40,1% e os amarelos e índios menos de 3,0%.

Trinta anos depois, o número de brancos caiu para 49,7%, os negros e mulatos subiram para 49,5% e os amarelos e índios reduziram para menos de 1,0%.

Segundo as projeções demográficas, baseadas em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de negros e mulatos superará o de brancos, por uma diferença mínima, no final de 2008.

"Os negros saíram dos quilombos para viver nas favelas", lamentou o secretário de Igualdade Racial, Edson Santos, durante a comemoração dos 120 anos da Lei Áurea, promulgada em 1888, pela princesa Isabel.

"Foi uma das lutas mais belas ocorridas no Brasil, mas não teve medidas posteriores de cidadania para a população negra", acrescentou Santos.

Atualmente, estão em processo de reconhecimento 3.500 comunidades quilombolas, com um total de 1,7 milhões de pessoas negras sem moradia.

No censo de 2000, com cerca de 170 milhões de brasileiros, 91 milhões de brasileiros declararam-se brancos, 65 milhões mulatos, 10,5 milhões negros, 762.000 amarelos e 734.000 índios. EFE wgm/fb

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