Rio de Janeiro, 16 dez (EFE).- O Brasil abrirá no próximo ano um escritório em Bruxelas para defender as exportações dos prejuízos causados pelas normas técnicas impostas pela União Europeia (UE), informaram hoje fontes empresariais.

Similar ao que já têm países como China e Rússia, o posto será financiado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), como explicou essa última em comunicado.

Segundo os industriais, o objetivo da iniciativa é antecipar as normas técnicas que a União Europeia impõe sobre importações e que "funcionam como barreiras não tarifárias, impedindo as exportações de diversos setores".

A CNI afirmou que as últimas restrições da UE prejudicaram setores brasileiros como os de carnes, mármores e rocha, e químico.

O presidente da APEX, Alessandro Teixeira, justificou a abertura do escritório diante da importância que tem o mercado comum europeu para o Brasil, como terceiro principal destino das exportações e responsável no que vai do ano por compras por US$ 31 bilhões.

Teixeira acrescentou que o Brasil perdeu parte do mercado por normas técnicas que surpreendem as empresas brasileiras.

"Recentemente perdemos exportações pelo lobby realizado pela Irlanda contra a carne bovina brasileira e não tínhamos ninguém que nos defendesse. Com um escritório vamos poder nos antecipar a esses problemas", assegurou.

Acrescentou que setores como o químico e de mármores e rocha também foram afetados por regulamentações da UE que, alegou, "funcionam como medidas de protecionismo".

O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, disse que a associação entre os industriais e a APEX tem como objetivo estar atento às políticas comerciais e financeiras adotadas ou em discussão na União Europeia para tentar identificar as que possam prejudicar ao Brasil.

"Não é possível prever em quanto poderemos aumentar as exportações com o escritório, mas posso dizer que pelo menos não vão cair", afirmou Teixeira. EFE cm/dm

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