Brasil se junta a BM para pedir maior dedicação a 1ª infância

Rio de Janeiro, 17 jun (EFE).- Os ministros da Saúde e da Educação brasileiros e representantes do Banco Mundial (BM) pediram hoje uma melhora nas políticas públicas integradas para educação e que se foque nas crianças até 3 anos para evitar problemas futuros no desenvolvimento educacional.

EFE |

Durante a abertura da Conferência Global sobre Desenvolvimento na Primeira Infância, organizada pelo Banco Mundial e o Governo federal, o ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou que os problemas nos jovens se revelam aos 15 anos, "mas a desigualdade está marcada muito antes, aos 3 ou aos 6 anos já".

Haddad insistiu que os esforços não devem se concentrar apenas em resolver uma "pintura desagradável que se revela aos 15 anos", mas que é necessário trabalhar desde os primeiros períodos de desenvolvimento da criança, entre 0 e 3 anos de idade.

Além disso, lembrou que atualmente o Senado espera ratificar uma reforma constitucional para universalizar a educação entre os 4 e 5 anos.

O ministro se referiu também à situação do ensino no Brasil e lembrou que o país começou a se interessar muito tarde pela educação pública.

"Quando chegou a época do desenvolvimento para o Brasil, o país esteve muito centrado em aspectos como a ordenação do território e o desenvolvimento industrial, enquanto a educação foi transferida a um segundo e terceiro plano", explicou.

Para ele, o Brasil "é um país marcado culturalmente por valores pouco democráticos e pouco republicanos", embora tenha frisado que nos últimos anos são "evidentes" as melhoras na situação da educação pública nacional.

A secretária de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, alertou no discurso inaugural sobre alguns dados observados, como a existência de 28 mil analfabetos funcionais nas últimas etapas da educação primária na cidade.

Nesse sentido, Costin pediu às autoridades políticas que aumentem os investimentos em educação, especialmente na etapa de 0 aos 3 anos, porque "é muito mais humano, além de ser mais barato para o contribuinte" ao evitar problemas posteriores.

Já o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pediu a integração das políticas de educação e as de seu setor sobre um mesmo eixo para fomentar a erradicação da desigualdade, além de defender um grande pacto "que considere a saúde um componente estratégico e não secundário". EFE edv/rr

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