Brasil se aproxima da América Central e planeja acordo financeiro

Rio de Janeiro, 7 out (EFE).- O Brasil anunciou hoje sua intenção de aumentar relações comerciais com a América Central, ao se incorporar ao Sistema da Integração Centro-Americana (Sica) como observador regional.

EFE |

A delegação brasileira ainda ventilou sua a possível participação do país no Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE).

O instrumento de adesão do Brasil ao mecanismo de integração centro-americano foi assinado em uma cerimônia no Rio de Janeiro pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pelo secretário-geral do Sica, Aníbal Quiñonez.

Após a assinatura do acordo, ambas as partes disseram que pretendem aumentar a colaboração do Brasil na produção de biocombustíveis, e o diálogo em assuntos de segurança.

"Este acordo permitirá que Brasil e América Central estejam mais próximos. É o início da relação que queremos estreitar e ler a níveis de maior profundidade", disse o secretário-geral do Sica.

Segundo Quiñónez, as duas partes querem contar com um fórum de diálogo e de cooperação política que permita ao Brasil ajudar no desenvolvimento de uma agenda social na América Central.

"O Brasil pode cooperar nas campanhas de combate à pobreza, de grande importância para a América Central. A experiência brasileira neste sentido é bastante rica, extensa e pode nos beneficiar", afirmou Quiñónez.

Ele acrescentou que a possibilidade de o Brasil entrar no BCIE só depende da revisão dos estatutos do órgão, que já está em andamento.

O Sica, criado em 1991, tem como membros plenos Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, e a República Dominicana como país associado.

Espanha, México e Taiwan também são países observadores do Sica.

"O Brasil está um pouco atrasado mas, como membro, poderá utilizar os próprios mecanismos do banco para financiar uma maior participação de empresas brasileiras na América Central", ressaltou o chanceler brasileiro.

Os dois lados desejam aumentar o investimento de empresas brasileiras na América Central. Algumas, principalmente nos setores energético e têxtil, já anunciaram projetos para tentar aproveitar os acordos de livre-comércio da região com os Estados Unidos.

"Há empresas brasileiras interessadas em investir, e esperamos que depois deste acordo possamos ter algum fórum empresarial como os que tivemos com outros países", disse Quiñónez.

"Convidaremos o Governo brasileiro a enviar funcionários à secretaria da Sica e pretendemos realizar uma viagem ao Brasil para nos conhecer melhor, identificar oportunidades e ver como podemos nos beneficiar", afirmou.

O secretário também anunciou o interesse comum das partes de finalizar negociações de um acordo comercial entre Sica e Mercosul.

Amorim acrescentou que, que apesar de ser pequeno em termos globais, o comércio com a América Central já se aproxima do valor das trocas comerciais com o Uruguai, um dos membros do Mercosul.

Segundo ele, a atual crise financeira internacional demonstrou o sucesso da estratégia iniciada há cinco anos pelo Brasil para diversificar seus mercados e se tornar "independente" de países como os EUA.

"O Brasil destina hoje apenas 15% de suas exportações aos EUA. Há cinco anos, quando dizíamos que tínhamos uma estratégia de diversificar os mercados brasileiros, tudo era visto com desprezo.

Hoje, estamos vendo os benefícios", afirma Amorim Segundo ele, a América Latina e o Caribe importam 26% das vendas externas brasileiras, sendo 90% de produtos manufaturados.

Sobre os biocombustíveis, o ministro disse que "o Brasil pode oferecer conhecimento e capital", e em troca ganhar mercado.

"O Brasil já viajou à América Central e começou a desenvolver alguns projetos de etanol. Missões centro-americanas vieram ao Brasil para conhecer a tecnologia", informou Quiñónez. EFE cm/rb/jp

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