Brasil sai da recessão técnica e Governo prevê crescimento de 1% em 2009

Rio de Janeiro, 11 set (EFE).- Com um crescimento de 1,9% no segundo trimestre do ano, em comparação com o primeiro, a economia brasileira saiu da recessão técnica para a qual tinha sido empurrada pela crise econômica mundial, segundo dados divulgados hoje pelo Governo.

EFE |

A reação do Produto Interno Bruto (PIB) foi rapidamente comemorada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem o número permite prever que a maior economia latino-americana terminará o ano com um crescimento de 1% e que a expansão chegará a 5% em 2010, praticamente igual à de 2008 (5,1%).

"O Brasil é o país que se recuperou mais rápido no mundo" da crise econômica global, afirmou Mantega, que previu taxas de crescimento ainda maiores para o terceiro e quarto trimestre de 2009.

Segundo o ministro, o Brasil está mostrando uma recuperação em forma de V, com uma queda e uma reação muito rápida, e não como a maioria dos países, em forma de U, com um retorno à situação normal mais lento.

"O resultado do segundo trimestre mostra que a economia já voltou a crescer. Esse crescimento continuará no terceiro trimestre, quando será de entre 2% e 3%, de modo que terminaremos o ano com uma taxa positiva", afirmou.

Mantega disse que o resultado do segundo trimestre obrigará economistas dos bancos privados a revisarem suas projeções de crescimento do Brasil para este ano, já que, até a semana passada, calculavam uma contração de 0,16%.

Apesar do PIB ter se caído 1,2% no segundo trimestre, comparado com o mesmo período de 2008, a reação frente aos primeiro três meses do ano, que superou as expectativas e foi impulsionado principalmente pela indústria, permite prever essa recuperação.

O resultado do segundo trimestre pôs fim à recessão técnica na qual o país se encontrava até março, quando completou dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.

No primeiro trimestre, o PIB se contraiu 1%, frente ao quarto do ano passado, quando já tinha registrado uma queda de 3,4% em comparação com o terceiro, segundo os dados revisados e divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A economia brasileira acumula uma perda de 1,5% no primeiro semestre do ano, frente ao mesmo período de 2008, seu pior resultado desde 1996. No entanto, o PIB acumulado nos últimos 12 meses até junho registra um crescimento de 1,3%, em comparação com julho de 2007 e junho de 2008.

Mantega atribuiu a rápida recuperação às medidas adotadas pelo Governo para incentivar a indústria e o consumo, mais precisamente os dois setores que impulsionaram o crescimento no segundo trimestre.

Enquanto a indústria cresceu 2,1% no segundo trimestre, frente ao primeiro, o setor de serviços cresceu 1,2% e o agropecuário registrou uma contração de 0,1%.

Da mesma forma, o consumo das famílias cresceu 2,1% no trimestre, enquanto o consumo do Governo caiu 0,1%.

O Brasil começou a sofrer os efeitos da crise global em outubro do ano passado, que causou uma forte redução da demanda internacional por matérias-primas, das quais o país é um dos maiores exportadores mundiais, o que impactou fortemente a indústria.

Para resistir à crise, o Governo injetou milionários recursos no mercado para facilitar o crédito e reduziu os impostos sobre os setores industriais mais afetados, o que permitiu uma redução dos preços de produtos como automóveis e eletrodomésticos.

Mantega antecipou que, como essas medidas, os objetivos já foram alcançados, e, por isso, os incentivos fiscais serão suspensos no final do ano.

"A economia já está caminhando com suas próprias pernas. Já não necessita ser ajudada pelo Governo, embora, logicamente, seguiremos descendo as taxas de juros, aumentando o crédito e estimulando os investimentos", disse.

Segundo o economista Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, os incentivos do Governo permitiram manter o consumo interno em expansão, que se transformou no principal motor do crescimento da economia brasileira. EFE cm/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG