Brasil reitera apelo em favor de iraniana condenada

Várias organizações de apoio a Sakineh manifestaram na França o temor de que ela seja executada na quarta-feira

iG São Paulo |

O apelo humanitário do governo brasileiro em favor de Sakineh Mohammadi Ashtani foi reiterado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em conversa com o chanceler do Irã, Manouchehr Mottaki, no último dia 22. Foi o que informou nesta terça-feira a assessoria de imprensa do Itamaraty.

Na conversa, Amorim falou também sobre a questão nuclear e sobre os alpinistas norte-americanos que se encontram presos no Irã.

O governo brasileiro chegou a oferecer asilo humanitário a Sakineh. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, como cristão, não considera certo que um Estado condene uma pessoa à morte. O apelo, porém, teve alcance limitado porque o Brasil não interfere em questões internas de outros países.

 Execução

AP
Foto divulgada por ONG em Londres mostra Sakineh Mohammadi Ashtiani
Várias organizações de apoio a Sakineh manifestaram nesta terça-feira na França o temor de que ela seja executada na quarta-feira. "Sakineh Mohammadi Ashtiani aparentemente está ameaçada de ser executada amanhã, quarta-feira, 3 de novembro", informa um comunicado da revista francesa La règle du Jeu, dirigida pelo filósofo Bernard-Henri Lévy.

"Uma carta da Suprema Corte de Teerã foi enviada ao escritório de aplicação das penas na penitenciária de Tabriz autorizando a execução rápida de Sakineh. As execuções acontecem na quarta-feira, assim estamos terrivelmente preocupados por Sakiney hoje", completa o texto.

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, foi condenada em 2006 a 10 anos de prisão pela acusação de cumplicidade no assassinato do marido e ao apedrejamento até a morte por várias acusações de adultério, segundo as autoridades iranianas.

A condenação provocou uma enorme campanha internacional para evitar a aplicação da pena, assim como vários questionamentos aos julgamentos.

A preocupação da La Règle du Jeu é compartilhada fundamentalmente pela Liga do Direito Internacional das Mulheres, segundo informações transmitidas na segunda-feira por fontes iranianas ao Comitê Internacional contra o Apedrejamento e ao Comitê Internacional contra a Execução.

Sihem Habchi, da associação de defesa dos direitos das mulheres "Nem Putas Nem Submissas", ligou para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "a tomar posição, coisa que ainda não fez".

Recém-chegada de Londres, onde reside, a militante iraniana exilada e membro do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, Maryam Namazié, considerou que um afrouxamento da mobilização internacional propiciará a execução de Sakineh.

Segundo ela, o poder iraniano "quer executar Sakineh" e escolheu para isso a forca, achando que isso causará menos indignação que o apedrejamento.

O secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus, Pierre Lellouche, disse que seu país espera que a pena de morte seja comutada.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, também se declarou muito preocupada pelas informações de uma iminente execução.

Segundo um comunicado de seu gabinete, Ashton pede que "o Irã detenha esta execução e comute a condenação".

Várias associações realizaram atos de protestos na tarde desta terça-feira diante da embaixada do Irã em Paris para exigir a libertação de Sakineh.

Em julho, o governo do Irã anunciou que a condenação à morte por apedrejamento, confirmada em 2007 em apelação, estava suspensa e que o caso seria reexaminado.

com informações da Agência Estado e AFP

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