Brasil, recém-chegado ao Salão Mundial do Vinho, parece ignorar a crise

Assim como o Chile e a Argentina, seus dois vizinhos, o Brasil, que pela primeira vez participa no Vinexpo, o Salão Mundial de Vinhos em Bordeaux (sudoeste da França), parece ignorar a crise e mostra estatísticas de negócios otimistas.

AFP |

Com seus 88.000 hectares de vinhedos e uma produção anual de 3,5 milhões de hectolitros, o Brasil é o quinto produtor mais importante do hemisfério sul, atrás da Argentina (14,8), Austrália (10,3), África do Sul (8,9) e Chile (8,4), segundo a agência de vinhos brasileira.

O vinho tinto, cuja elaboração neste país começou em 1875, domina a produção brasileira, enquanto o vinho branco alcança 20% e o vinho espumante 10%.

O Brasil conta com uma grande variedade: Sauvignon e Chardonnay entre os brancos, e Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot e Gamay entre os tintos.

Até agora quase toda a produção é vendida no mercado interno. "Com 190 milhões de habitantes, temos um enorme potencial", afirma Winfried de Bernard du Breil, responsável pelas relações internacionais para a firma Miolo, um dos mais importantes negociantes do Brasil.

A cachaça, produto de excelência no Brasil, continua sendo uma das bebidas que com mais êxito no mercado. No entanto, segundo Bernard du Breil, "os brasileiros começam a beber cada vez mais vinhos".

"Em três anos, deveremos alcançar um consumo de cinco litros por habitantes, agora é de 2,5", afirma o representante da Miolo.

Os vitivinicultores brasileiros tentam desenvolver o mercado exportador, que representa apenas atualmente 2% da produção, explicou à AFP Andreia Gentilini Milan.

Segundo a diretora de exportações da agência de vinhos brasileira, "há dois anos o que saía para o exterior representava apenas 1% e esperamos chegar a 10% nos próximos 10 anos".

Alemanha, Holanda, Grã-Bretanha, Estados Unidos e a região de Escandinávia já estão entre os principais importadores de vinho brasileiro. A outra região na mira do vinho do país é a Ásia, principalmente China e Hong Kong.

"Pensamos que a crise econômica é uma excelente oportunidade para conquistar novs mercados", declarou Andreia.

O otimismo é confirmado pelas estatísticas. O Brasil registrou um crescimento das exportações de vinho espumante de 18% no primeiro trismestre de 2009 e de 20% para os outros vinhos.

"Entre janeiro e maio de 2009, nosso mercado estrangeiros cresceu mais de 10% na comparação com o mesmo período em 2008", comemora Juciane Casagrande, diretora de exportações da Casa Valduga.

"O crescimento das exportações teria sido maior se não tivesse acontecido uma crise".

Os dois principais concorrentes na América do Sul, Argentina e Chile, registraram uma alta similar nas exportações nos cinco primeiros meses do ano: quase 10% de alta na Argentina, enquanto o Chile viu uma paralisação nas vendas em janeiro e fevereiro, com um crescimento nos últimos três meses.

juf/cn/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG