Brasil recebe Ban Ki-moon de olho em presidente da Assembleia Geral da ONU

Secretário-geral chega ao Brasil nesta quinta, mas Itamaraty prevê mais avanço da agenda brasileira na ONU com o suíço Joseph Deiss

Danilo Fariello, iG Brasília |

Com a visita a Brasília do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, a partir de quinta-feira, o Brasil começa a reforçar o lobby por reformas dentro da ONU e do próprio Conselho de Segurança. No entanto, o Itamaraty acredita que seja mínimo o avanço dos pleitos do país na conversa com o sul-coreano e nutre mais expectativas diplomáticas com a visita do presidente da Assembleia Geral da ONU, o suíço Joseph Deiss, prevista para a segunda-feira. 

É o suíço, e não o sul-coreano, que tem poder para definir a pauta das discussões da assembleia, soberana nas discussões. Passa pela sua cadeira, por exemplo, a decisão de levar à apreciação da organização a reforma do Conselho de Segurança, entre outros anseios do governo brasileiro de reforma na ONU.

AFP
Em giro pela região, Ban Ki-Moon passou pela Argentina, onde esteve com a presidente Cristina Kirchner, antes de vir ao Brasil (13/6)
O secretário-geral, apesar de ocupar o posto mais alto da diplomacia mundial, tem menor ingerência sobre o rumo das transformações do órgão – cujo poder é concentrado na assembleia e, no caso de intervenções militares, no Conselho de Segurança.

Campanha para reeleição

Ban chega ao Brasil depois de ter passado pela Colômbia, Argentina e Uruguai para tentar se aproximar mais da América Latina e angariar votos para sua esperada reeleição, cuja campanha deve ser oficializada ainda neste mês. Em Buenos Aires, ele conseguiu obter de Cristina Kirchner um apoio explícito à sua reeleição, como também ocorreu na Colômbia e no Uruguai.

Apesar de ainda não ter surgido candidato oponente ao atual secretário, Ban não é visto como um personagem muito midiático dentro da ONU, apesar de seu posto ter como objetivo também representar a imagem do órgão. O ex-presidente Kofi Annan levou a ONU a receber um Prêmio Nobel da Paz e era visto com mais simpatia pelos funcionários e representantes de países-membros das Nações Unidas.

No Brasil, porém, a presidenta Dilma Rousseff e o Ministério das Relações Exteriores ainda não têm uma posição definida quanto a apoiar a reeleição de Ban. Oficialmente, os discursos e tratados da visita de dois dias devem discorrer principalmente sobre a realização da Rio+20, evento que ocorre no próximo ano na capital fluminense para tratar de temas ambientais, o que remete à Rio 92.

Por esse motivo, o secretário-geral da ONU deverá encontrar a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ainda na seara ambiental, Ban terá um encontro com a ex-senadora Marina Silva, que figura entre os membros do grupo que discute as Metas de Desenvolvimento para o Milênio das Nações Unidas (MDG, na sigla em inglês).

O secretário encontrará, ainda, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, para conhecer melhor o programa Brasil Sem Miséria; o Secretário-Geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho; e o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Fernando Collor.

Riscos meteorológicos

A agenda da visita de Ban ao Brasil se tornou incerta nos últimos dias por conta dos problemas meteorológicos decorrentes do vulcão Puyehue. Nos países por onde já passou, o secretário-geral da ONU teve de trocar viagens de avião por carro e barco. Foi cruzando o Rio da Prata que Ban viajou de Buenos Aires a Montevidéu, onde chegou na terça-feira.

Com as intempéries, a agenda de Ban no Brasil foi alterada algumas vezes e, por enquanto, o encontro com a presidenta Dilma Rousseff está previsto para o fim da tarde da quinta-feira. Antes, no mesmo dia, o secretário-geral encontra-se com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, com quem almoça.

Essa será a terceira visita de Ban ao Brasil como secretário-geral da ONU, posto para o qual foi eleito em 2007. A primeira visita foi em novembro de 2007 e a segunda, em maio de 2010, quando prestou homenagem aos militares brasileiros que faleceram no terremoto do Haiti, enquanto faziam parte das forças de paz da ONU no país. Se reeleito, Ban terá mais cinco anos de mandato à frente das Nações Unidas.

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