Brasília, 17 jun (EFE).- O Governo brasileiro confirmou hoje que seu compromisso com a segurança e o desenvolvimento do Haiti é de longo prazo, mas movimentos sociais deste país afirmam que a missão de paz da ONU liderada pelo Brasil funciona, na verdade, como uma força de ocupação.

As críticas ao trabalho da ONU no Haiti surgiram durante uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro. A sessão foi convocada com o propósito específico de analisar a atividade das tropas do Brasil que fazem parte da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

"O objetivo da missão (das Nações Unidas) é criar as condições e o clima de estabilidade necessários para permitir ao Haiti atrair investimentos e ações sociais", disse a chefe da Divisão das Nações Unidas do Ministério das Relações Exteriores, Gilda Motta Santos Neves.

O Brasil mantém no Haiti 1,3 mil militares, dos quais 250 são engenheiros capacitados para a construção de todo tipo de infraestruturas.

Além disso, o país promove projetos de cooperação em diversas áreas, sobretudo no setor agrícola, com o objetivo de estimular o desenvolvimento da atividade e a produção de alimentos no Haiti.

"A Minustah tem dimensões múltiplas", que vão além da estrita função de segurança, declarou a diplomata brasileira, que lembrou que a força de paz é constituída por soldados de quase 50 países, 12 deles latino-americanos.

A atuação da Minustah, no entanto, tem sido alvo de críticas de representantes de movimentos sociais, tanto brasileiros como do próprio Haiti. Estes grupos consideraram a presença das tropas como uma "ocupação militar".

O haitiano Didier Dominique, membro da ONG Batay Ouvrier, participou da sessão no Senado brasileiro. Segundo o ativista, a presença de tropas estrangeiras em seu país é um "projeto imperialista burguês", que busca "silenciar" os movimentos sociais.

Ouvrier afirmou ainda que, com o apoio da ONU, grandes multinacionais já planejam se instalar no Haiti para se "aproveitarem da mão-de-obra barata" e criarem zonas livres de impostos.

Por sua vez, o senador brasileiro José Nery (PSOL) propôs que a comissão nomeie um grupo de parlamentares para que visite o Haiti e entre em "contato direto" com os soldados da Minustah, com os movimentos sociais e a própria "realidade do país".

A proposta foi aprovada e, em suas próximas sessões, a Comissão de Relações Exteriores do Senado designará os membros desse grupo e definirá a data da viagem. EFE ed/sc

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