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Brasil quer que Unasul discuta bases militares na Colômbia sem retórica

Brasília, 26 ago (EFE).- O Governo brasileiro quer que a Cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que será realizada na sexta-feira, discuta todos os temas em matéria de defesa com moderação, sem retórica e com ânimo para reduzir as tensões, disse hoje uma fonte oficial.

EFE |

"Sem deixar de ressaltar a legítima preocupação com a presença de tropas estrangeiras na região, o Brasil ressalta a necessidade de mais informação e transparência, por meio de um diálogo franco", declarou, em entrevista coletiva, o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach.

Além disso, disse que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, insistirá diante da Unasul sobre a necessidade de "garantias formais", no sentido de que o acordo que permitirá a utilização de até sete bases em território colombiano por soldados americanos "não afete outros países".

A cúpula extraordinária da Unasul, que será realizada na cidade argentina de Bariloche, será "uma oportunidade para que os líderes sul-americanos revisem todos os temas que são potencial fonte de tensões na área de segurança", disse Baumbach.

Segundo o porta-voz de Lula, os assuntos que geram tensões são, além das negociações entre a Colômbia e os EUA, "a compra de armamento e os acordos com potências extra-regionais", mas não citou nenhum em particular.

"É óbvio que não há uma corrida armamentista na região, mas é necessário que se discuta esse tema com transparência, para evitar uma possível escalada", afirmou.

Baumbach reiterou que o Brasil está disposto a explicar, se for o caso, a negociação que mantém com a França para a compra de submarinos, aviões de combate e outros equipamentos militares.

Do mesmo modo, declarou que se a polêmica sobre o descobrimento de armamento sueco vendido à Venezuela em mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) for discutida, o Brasil não demonstrará oposição para que o assunto seja tratado, pois "o debate deve ser franco e abranger todos os temas".

Segundo o porta-voz presidencial, Lula está convencido de que "o importante é que a cúpula sirva para gerar um clima de entendimento e que contribua para aliviar as tensões, que são aumentadas pela retórica e pela polarização".

Além disso, comentou as visitas do ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao Equador e à Colômbia, e explicou que tiveram o objetivo de "aumentar a cooperação, para tentar reduzir as tensões".

Baumbach disse ainda que o "Brasil acredita que determinar uma agenda mais robusta para o Conselho de Defesa da Unasul seria um elemento que propiciaria a resolução deste tipo de tensões" e "poderia ser um dos resultados benéficos da reunião".

No entanto, ressaltou que "não se pode ser inocente" e "pensar que em uma única reunião serão solucionados todos os problemas da região".

O porta-voz explicou, além disso, que Lula mantém a esperança de que os líderes da Unasul possam ter uma reunião com o presidente dos EUA, Barack Obama, para discutir o acordo militar com a Colômbia e "toda a relação" do país com a América do Sul.

Porém, por "problemas de agenda", Baumbach disse que a reunião não poderá acontecer em setembro, por causa da Assembleia Geral das Nações Unidas, mas afirmou que "o encontro seguramente ocorrerá em uma data posterior". EFE ed/pd

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