Brasil quer aumentar vínculo comercial com o Irã, diz Lula

Pittsburgh (EUA), 25 set (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil pretende aumentar as relações comerciais e o diálogo com Teerã, apesar da confirmação de que o Irã construiu uma segunda usina nuclear.

EFE |

"O Brasil tem boas relações comerciais com o Irã e queremos fortalecê-las", disse Lula em entrevista coletiva após a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes).

O presidente afirmou que receberá seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em 23 de novembro, como estava previsto, e que visitará o Irã em 2010.

Lula destacou que "é necessário estabelecer um diálogo" com o Governo de Teerã.

"A política de isolamento não me agrada", afirmou o presidente, embora tenha insistido em que se opõe ao desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irã ou de qualquer outro país.

Segundo o embaixador brasileiro nos EUA, Antonio Patriota, Lula tratou do assunto com o presidente americano, Barack Obama, em uma conversa informal momentos antes da abertura da sessão de hoje da cúpula do G20.

Na ocasião, Obama disse a Lula "que considerava como positivo que o Brasil conversasse com o Irã. Concordou com a tese do presidente Lula de que não é produtivo isolar o Irã e de que o Irã deve falar com pelo menos um punhado de países", comentou Patriota.

A Casa Branca não fez comentários sobre a conversa.

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, também confirmou que o Brasil não modificará suas relações com o Irã depois de EUA, Reino Unido e França terem considerado a nova usina de enriquecimento de urânio como um "desafio direto" à comunidade internacional.

"Nós queremos encurralar o Irã ou queremos mudar a política nuclear do Irã? A política do Brasil é mudar a política nuclear do Irã e garantir firmemente que o Irã não terá uma bomba nuclear", explicou Garcia.

"Já sabemos no que a política de encurralamento desemboca, no Paquistão e Coreia do Norte", acrescentou o assessor, em referência a dois países que desenvolveram armas atômicas à margem do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. EFE cma/bba

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