Brasil propõe cortar emissões em até 38,9%

O governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira que pretende reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em entre 36,1% e 38,9% até 2020. A proposta será levada para a Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que será realizada de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, na Dinamarca.

BBC Brasil |

O governo afirma que essa meta é um compromisso voluntário, e não compulsório, já que a Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas só prevê metas obrigatórias para os países desenvolvidos.

O anúncio foi feito pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, após uma reunião como presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo.

A redução prevista é em relação às projeções de quanto o Brasil iria emitir até 2020. Segundo o governo, na prática deixarão de ser emitidas entre 975 milhões e 1,062 bilhão de toneladas de gás carbônico.

A proposta brasileira se divide em quatro áreas: o uso da terra, incluindo redução do desmatamento (corte de 24,7% das emissões), agropecuária (de 4,9% a 6, 1%), energia (de 6,1% a 7,7%) e siderurgia (de 0,3% a 0,4%).

Desmatamento
Além da proposta de redução de emissões, o Brasil também já havia se comprometido em reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia até 2020. Isso representa uma redução de 580 milhões de toneladas de gás carbônico.

Na quinta-feira, governo anunciou que o desmatamento na Amazônia Legal no último ano ficou em 7 mil quilômetros quadrados, o mais baixo desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar a região, em 1988.

Em relação ao período anterior (agosto de 2007 a agosto de 2008), a redução foi de 45%.

Para cumprir a meta de redução de 80%, assumida no Plano Nacional de Combate às Mudanças Climáticas, o desmatamento máximo admitido em 2020 deve ficar em torno de 4 mil quilômetros quadrados, menos de metadedos números anunciados nesta quinta-feira.

Divergências
Entre as principais divergências está a meta de cortes de emissões de gases poluentes para os países desenvolvidos.

Outro ponto de discórdia é a definição sobre o volume de recursos que as nações ricas deverão destinar para ajudar os países em desenvolvimento a reduzir suas emissões e financiar projetos de adaptação.

Os países ricos, cujas economias sofreram com a crise mundial, enfrentam pressões internas para reduzir gastos. Também argumentam que algumas nações em desenvolvimento mais avançadas teriam condições financeiras para arcar com a maior parte dos projetos.

Os países em desenvolvimento não concordam em contribuir financeiramente. Argumentam que as nações ricas são historicamente as maiores poluidoras e, por isso, deveriam arcar com os custos de adaptação dos países mais pobres.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG