Brasil promete abrir as torneiras para pagar energia de Itaipu

O Paraguai analisava nesta sexta-feira uma oferta do Brasil de aumentar de 384 para 900 milhões de dólares o valor anual pago pela energia de Itaipu comprada dos paraguaios, informou à AFP um funcionário paraguaio.

AFP |

As negociações sobre o antigo conflito pelo preço pago pela energia de Itaipu que cabe ao Paraguai se intensificaram nas últimas horas, na véspera da reunião dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo.

Segundo o funcionário, "o Paraguai poderá receber 900 milhões de dólares anuais", contra os atuais 384 mi, caso o acordo seja fechado no sábado.

O assessor especial da presidência brasileira para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, se disse "otimista" sobre as negociações: "Tenho a impressão de que será possível chegar a um acordo".

Lugo declarou hoje, após a Cúpula do Mercosul, que "ainda há questões a discutir nas negociações", que os "números ainda não estão fechando".

"Não queremos promover o confronto, e acredito que existe o mesmo espírito que inspirou a construção da represa", destacou o líder paraguaio.

O Brasil também prometeu financiar diversos projetos de infraestrutura e assistência no Paraguai envolvendo, inclusive, a reforma agrária, revelou o funcionário.

Obter um "preço justo" pela energia vendida pelo Paraguai ao Brasil foi uma das principais promessas de Lugo durante a campanha eleitoral, em 2008.

Itaipu, construída na fronteira fluvial entre os dois países, no rio Paraná, produz 14 mil megawatts, dos quais 50% cabem ao Paraguai, que vende seu excedente de 45% ao Brasil.

Durante a campanha eleitoral, Lugo disse que o "preço justo" é de 1,8 bilhão de dólares anuais.

O Paraguai exige ainda a liberdade para vender sua parte da energia para outros países, ponto que o Brasil não pretende ceder.

Lugo planeja vender a energia de Itaipu a Chile e Uruguai, por intermédio da Argentina, com quem os paraguaios compartilham outra hidrelétrica, a de Yacyretá, também no rio Paraná.

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