O Brasil preside a Conferência dos Doadores por um Novo Futuro do Haiti que começa nesta quarta-feira na sede da ONU, em Nova York, com o objetivo de levantar US$ 3,8 bilhões para a reconstrução do país. A reunião foi convocada pela ONU e pelos Estados Unidos, ao lado de Canadá, França, Espanha e representantes da União Europeia.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o subsecretário geral para América do Sul, embaixador Antônio Simões, chegaram terça-feira a Nova York para participar da conferência e de reuniões bilaterais com os chanceleres de Japão e Canadá, com a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, e a administradora do PNUD (Programa da ONU para o Desenvolvimento), Helen Clark, entre outros.

Na parte da manhã, além de depoimentos dos setores públicos, privados, não-governamentais e multilaterais, o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, vai apresentar o Plano de Ação para a Recuperação e Desenvolvimento do Haiti. A partir desse documento, na parte da tarde, a comunidade internacional, inclusive o Brasil, vai anunciar com quanto deve contribuir.

A conferência marca a segunda fase da operação de auxílio ao país devastado por um terremoto que deixou mais de 200 mil mortos em 12 de janeiro. A primeira fase, de assistência emergencial, conseguiu arrecadar US$ 1,2 bilhão e, desse valor, boa parte já foi aportada.

Passo certo
A ONU e os Estados Unidos esperam que os doadores ofereçam recursos significativos, disse a correspondente da BBC na ONU, Barbara Plett.

O coordenador de ajuda humanitária da ONU, John Holmes, disse que é crucial acertar neste primeiro passo para a reconstrução do Haiti.

"Deve haver um plano claro de ação e uma visão clara de como o Haiti vai ser reconstruído, e que seja endossado pela comunidade internacional", afirmou.

"A promessa desses fundos para o futuro imediato é muito importante como sinal da disposição da comunidade internacional em realmente oferecê-los."
Todo mundo está ciente de que bilhões de dólares em ajuda não resolveram os problemas do Haiti no passado, disse Plett. Para que isso surta um efeito, há uma intenção de se fortalecer as instituições fracas e corruptas do governo.

Missão da ONU
Criada em 2004 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, a MINUSTAH contava com a participação de 47 países, dos quais o Brasil era o maior contribuinte de tropas (com 1.266 efetivos militares). Quinze dias após o terremoto, os Estados Unidos enviaram cerca de 10 mil militares - um número que surpreendeu as tropas brasileiras. Na época, Amorim negou que houvesse algum tipo de "disputa" entre Brasil e Estados Unidos quanto à liderança na recuperação haitiana. O Congresso Nacional aprovou então o envio de 900 novos efetivos militares e outros 400 de reserva.

No dia 11 de março, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que o general brasileiro Luiz Guilherme Paul Cruz substituiria o general, também brasileiro, Floriano Peixoto, no comando da MINUSTAH.

O Brasil garantiu, por meio da Medida Provisória 480/2010, R$ 340 milhões em recursos suplementares e já transportou mais de mil toneladas de alimentos, água e remédios ao Haiti. Além disso, doou US$ 17 milhões a organizações internacionais presentes no Haiti como PNUD, FAO e UNESCO, entre outras.

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