Brasil prepara ofensiva publicitária pró-etanol no exterior

O assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse nesta sexta-feira que o governo brasileiro iniciará uma ofensiva publicitária internacional para divulgar o programa de desenvolvimento do etanol. Questionado sobre uma possível pressão dos demais governos que se opõem à política de Brasília de defesa do etanol durante a 5ª Cúpula América Latina, Caribe e União Européia, em Lima, Garcia anunciou a ofensiva.

BBC Brasil |

"Pressionado não, nós temos recebido cada vez mais adesão a esta política e vamos evidentemente iniciar uma ofensiva publicitária internacional para esclarecer isso", afirmou.

A ofensiva do governo será marcada por uma conferência que será realizada no Brasil em novembro. "Queremos que venham não somente os que estão de acordo, mas também os críticos, porque queremos que esta questão seja definitivamente esclarecida do ponto de vista científico."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve enfrentar resistência durante a cúpula em relação à produção de biocombustíveis.

De um lado, encontrará líderes latino-americanos preocupados com a produção de etanol à base de alimentos, como Evo Morales (Bolívia) e Alan García (Peru); de outro, a Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), que não está convencida da sustentabilidade da tecnologia dominada pelos brasileiros.

Farc e Interpol
Marco Aurélio Garcia amenizou o impacto do relatório da Interpol que certifica que as autoridades colombianas não manipularam o computador das Farc em que teriam sido encontrados documentos que vinculam os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, ao grupo guerrilheiro.

Para o assessor de Lula, a tensão na cúpula se originou antes mesmo da divulgação do informe, com trocas de farpas entre o ministro de Defesa da Colômbia, Manuel Santos, e o governo da Venezuela.

"Nós acreditamos que o primeiro passo para que esses problemas pudessem entrar em um bom curso já foi dado na reunião de Santo Domingo e na OEA (Organização dos Estados Americanos)."
"Esperamos que possamos avançar em um trabalho de aproximação" entre os países, acrescentou Garcia.

Itaipu
Após uma semana de expectativa em torno da reunião bilateral entre Lula e o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, o tema mais importante da agenda, a revisão do tratado de Itaipu, ficou de fora.

"Itaipu não foi discutido", disse Garcia. "Simplesmente, o presidente reiterou a idéia de manter os compromissos históricos que mantemos entre os dois países."
"Vamos esperar que o (novo) governo se constitua", acrescentou. "Mantemos a posição de que o presidente está disposto a abrir discussões e abrir uma série de negociações, mas não está em questão o tratado (de Itaipu), porque é um problema de compromissos internacionais que foram assinados."
O assessor disse que o presidente Lula pretende manter a mesma relação mantida atualmente com o novo governo do Paraguai.

O Brasil teria prometido cooperar para o desenvolvimento de programas de industrialização e agricultura do novo governo, que deve tomar posse em 15 de agosto.

"Não queremos um Brasil próspero com uma América Latina cheia de miséria", disse.

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