Brasil perde ouros, mas lidera América Latina em Pequim

O Brasil igualou em Pequim o recorde de medalhas conquistadas pelo país em uma Olimpíada, mas acabou com menos ouros do que em Atenas e caiu no quadro de medalhas. Mesmo assim, a delegação brasileira é a primeira de um país latino-americano a aparecer na lista, à frente de Cuba pela primeira vez desde 1960.

BBC Brasil |

Esse resultado, no entanto, reflete muito mais uma brusca queda do desempenho cubano do que o desenvolvimento do esporte no Brasil.

Com apenas duas medalhas de ouro, Cuba fez a sua pior campanha em Jogos Olímpicos desde 1968, quando terminou com apenas quatro medalhas de prata.

Em 2004, os cubanos haviam conquistado nove medalhas de ouro contra cinco do Brasil. Agora, em Pequim, com três ouros, a delegação brasileira superou a cubana.

O Brasil já havia liderado o quadro de medalhas da América Latina em Seul-1988 e Los Angeles-1984, mas isso porque Cuba boicotou as duas Olimpíadas.

15 medalhas
No quadro geral de medalhas, o Brasil terminou a Olimpíada de Pequim em 23º lugar, com três ouros, quatro pratas e oito bronzes. O total de 15 medalhas repete o recorde brasileiro alcançado em Atlanta-1996.

Mas as duas medalhas de ouro a menos do que em 2004 fizeram o país cair sete posições no ranking geral - em Atenas, o Brasil havia ficado na 16ª posição.

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no entanto, afirma que a participação do país na China foi um "sucesso" e argumenta que o tamanho da delegação e o número de finais disputadas por atletas brasileiros têm um impacto maior na hora de avaliar o desempenho nacional.

"O crescimento esportivo de um país não deve ser medido apenas por medalhas", afirmou Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, ao fazer um balanço da Olimpíada de Pequim.

"A presença de um maior número de atletas e de modalidades em finais olímpicas indicam a evolução qualitativa do esporte brasileiro nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos", acrescentou.

Destaques
O desempenho feminino em Pequim foi um dos principais destaques da participação do Brasil nos Jogos.

Pela primeira vez, uma mulher conquistou uma medalha em uma competição individual - o bronze da judoca Ketleyn Quadros. A façanha acabou superada pelo histórico ouro de Maurren Maggi no salto em distância.

Natália Falavigna também alcançou uma conquista inédita ao ficar com o bronze no taekwondo, e a dupla Fernanda Oliveira e Isabel Swan chegou à primeira medalha do Brasil na vela feminina.

A atuação das atletas brasileiras acabou coroada com o ouro da seleção brasileira de vôlei feminino.

Na delegação masculina, o grande destaque foi o único brasileiro a conseguir duas medalhas em Pequim: o nadador César Cielo, que conquistou um ouro e um bronze.

Decepções
Apesar dos destaques positivos, à exceção do bronze no taekwondo, o Brasil não conseguiu medalhas em novos esportes.

As conquistas brasileiras em Pequim se concentraram em esportes que tradicionalmente voltam com bons resultados para o país: vôlei, vela, judô, natação, atletismo e futebol.

Embora tenha alcançado finais inéditas na China, a ginástica artística foi uma das decepções brasileiras ao deixar a Olimpíada sem nenhuma medalha.

O choro de Diego Hypólito e de outros atletas decepcionados com o próprio rendimento, principalmente em decisões, apontou para um problema que o próprio COB reconhece nos atletas brasileiros: falta de preparo psicológico.

"Há algumas coisas a acertar, e uma delas é a presença de um psicólogo na delegação", afirmou Nuzman. "Mas essa é uma equação um pouco complexa, porque esbarra no treinador, que acha que é psicólogo."
Com a candidatura do Rio de Janeiro à sede da Olimpíada de 2016, o Brasil também terá desafios mais amplos pela frente.

Para ser bem-sucedido, o projeto provavelmente exigirá o desenvolvimento de uma melhor infra-estrutura esportiva e a prestação de contas de recursos públicos investidos na empreitada.

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