Brasil pedirá reforma da ONU, do FMI e do Banco Mundial na Assembleia Geral

NOVA YORK - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pedirá na 64ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a reforma da própria entidade, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Em seu discurso, na próxima quarta-feira, Lula também irá criticar o embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

Redação com agências internacionais |

Lula embarca nesta segunda-feira para Nova York, onde recebe, no mesmo dia, o Prêmio ao Serviço Público do Centro Internacional Woodrow Wilson. Na quarta-feira, a partir das 9 horas, estará na sede da ONU, onde terá encontros bilaterais com líderes de outros países e fará o seu discurso.

De acordo com o porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach, Lula vai destacar que que a ONU "não é adequada" aos tempos modernos, o que ficou patente em sua "incapacidade" para canalizar os debates sobre a crise econômica mundial.

Medidas de combate à crise

O presidente também deve destacar o papel da comunidade internacional no combate à crise financeira e pedirá a manutenção das medidas anticíclicas que serviram para fazer frente à crise mundial, já que, segundo ele, os problemas de fundo que a causaram ainda não foram solucionados.

O presidente também insistirá em que os países ricos "aceitem" as reformas do FMI e do Banco Mundial e que impulsionem a retomada da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a liberalização do comércio mundial.

Conselho de Segurança

Lula irá reforçar o pedido de renovação do Conselho de Segurança da ONU com a abertura a novos membros permanentes, o que permitiria devolver "representatividade" à ONU.

O Brasil defende há anos a ampliação do Conselho de Segurança e se apresenta como um dos candidatos a ocupar uma cadeira permanente no órgão, privilégio que só Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China têm atualmente.

Mudança climática

Além disso, exigirá um "esforço global" para evitar a mudança climática, pedindo aos países ricos para que transfiram suas tecnologias às nações pobres "para aliar a preservação do meio ambiente ao desenvolvimento econômico".

Encontros bilaterais

O presidente ainda não tem nenhuma reunião bilateral confirmada, mas há pedidos para se encontrar com líderes de Israel, Coreia do Sul, Irã, Reino Unido, Espanha, Nigéria e dos territórios palestinos.

Também existe a possibilidade de que Lula se reúna com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno. A agenda oficial do presidente deve ser divulgada no começo da semana.

G20

Um dia depois da abertura da Assembleia, na quinta-feira que vem, Lula viaja para a cidade americana de Pittsburgh, onde na sexta-feira participa da reunião de chefes de Estado e de governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países desenvolvidos e principais emergentes).

Lula defenderá a consolidação do G20 como fórum "legítimo" para o debate de questões econômicas mundiais e insistirá na necessidade de renovar o sistema financeiro, distribuindo "mais cotas" para os países pobres no FMI e no Banco Mundial, baseando a escolha dos representantes dos dois órgãos em critérios "objetivos e técnicos".

Além disso, pedirá às duas entidades para que não vigiem apenas os países pobres, mas também as economias desenvolvidas, além de dar mais importância ao financiamento do comércio internacional. Em Pittsburgh, o presidente já tem um encontro bilateral confirmado com o premiê da Índia, Manmohan Singh.

Entenda o que é a Assembleia Geral da ONU

A Assembleia Geral é o principal órgão de debate da ONU, onde todos os países-membros da organização estão incluídos e onde cada nação tem direito a um voto nas discussões em pauta.


Prédio da ONU em Nova York / Divulgação

Na Assembleia Geral, os países-membros têm a oportunidade de discutir qualquer tópico que esteja na Carta da ONU, de segurança internacional à mudanças climáticas. A Assembléia pode fazer recomendações, baseadas em suas deliberações. Mas ela não tem poder para forçar os países a agirem de acordo com suas decisões.

Em assuntos-chave, incluindo os de segurança internacional, uma maioria de dois terços é necessária para adotar uma resolução. Tradicionalmente, é o representante brasileiro que, com seu discurso, abre a parte de discursos de representantes de países-membros da Assembleia Geral.

Os assuntos tratados na Assembleia Geral são geralmente divididos em seis comitês:o de desarmamento e segurança internacional; o de política e descolonização; o econômico e financeiro; o social, humanitário e cultural; o administrativo e orçamentário; e o legal. Ao final das discussões, a Assembleia aprova ou rejeita as diretrizes determinadas pelos comitês.

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