Brasil pede um mundo sem armas nucleares

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, defendeu nesta terça-feira em Paris um mundo sem armas atômicas, considerando que o orçamento de produção e manutenção das atuais ogivas nucleares é provavelmente superior ao custo da reconstrução do Haiti.

AFP |

"O desarmamento é uma meta complexa, cara e longa, mas é uma decisão política, assim como a decisão de não-proliferação", afirmou Amorim em um discurso pronunciado no fórum da coalizão "Global Zero", reunida em Paris.

Amorim, para quem "chegou o momento do desarmamento nuclear", declarou que a "possibilidade de conclusão das negociações" sobre o tratado que substituirá o START I entre Estados Unidos e Rússia "é um sinal alentador", pois esses dois países controlam quase 90% das armas nucleares que existem no mundo.

"Outros Estados detentores de armas nucleares devem se juntar, mais cedo ou mais tarde", afirmou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, que considerou que o mundo "precisa ir mais além das reduções unilaterais".

Amorim citou como exemplo a colaboração que Brasil e Argentina iniciaram nos anos 80 e 90 com a criação de agências nucleares bilaterais que trabalhavam com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Ela poderá servir de inspiração para outros países", disse Amorim que falou para um seleto auditório de ex-representantes políticos, militares, religiosos e de negócios reunidos em um luxuoso hotel de Paris, diante dos quais não hesitou em mencionar a recente tragédia no Haiti.

"O custo da reconstrução do Haiti é, provavelmente, menor do que custa produzir e manter" as atuais ogivas nucleares, disse Amorim.

O Haiti, onde o Brasil lidera a Missão de Estabilização das Nações Unidas (Minustah), foi devastado no dia 12 de janeiro por um potente terremoto que deixou 170.000 mortos e destruiu as principais infraestruturas da capital, Porto Príncipe.

O presidente norte-americano Barack Obama e o seu colega russo Dimitri Medvedev saudaram a iniciativa da "Global Zero" a favor da eliminação das armas nucleares e reafirmaram o seu compromisso de alcançar um acordo que permita substituir o tratado de desarmamento nuclear START, que data de 1991 e que expirou em dezembro de 2009.

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