Brasil pede reunião de emergência da ONU para discutir Honduras

NOVA YORK - O Brasil pediu nesta terça-feira uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir a crise em Honduras, após o retorno ao país do presidente deposto, Manuel Zelaya.

Redação com agências internacionais |


Em uma carta endereçada aos membros do Conselho, a representante permanente do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmou que o governo está preocupado com "a segurança do presidente Zelaya e com a segurança e integridade física da embaixada brasileira e de seus funcionários".

Em entrevista coletiva dada antes de a carta ser enviada, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a medida seria uma resposta aos cortes de água e energia elétrica na representação diplomática ordenados pelo governo interino de Honduras, como retaliação à presença do presidente deposto do país.

Além disso, segundo o ministro, o governo interino de Honduras teria enviado uma "nota impertinente e em termos inadequados" à embaixada onde afirmava que iria "blindar" as imediações do prédio.

A medida também se justificaria pela "preocupação" causada no governo brasileiro pelo uso de bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes nas proximidades da representação.

"Como precisamos estar precavidos, estamos considerando uma carta ao Conselho de Segurança da ONU sobre a impenetrabilidade das embaixadas", disse Amorim, que afirmou que tomará a decisão sobre o envio da carta ainda nesta terça-feira.

'Selvageria'

O chanceler brasileiro afirmou ainda que os cortes "não se justificam (...), principalmente porque há cerca de 70 pessoas na embaixada, inclusive três crianças". "Não há tolerância com essa situação, queremos resolver de maneira pacífica", disse.

AFP
Apoiadores de Zelaya dormem na embaixada brasileira

Apoiadores de Zelaya dormem na embaixada brasileira

Segundo Amorim, o governo brasileiro também está em contato com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e com a embaixada norte-americana em Honduras para facilitar a eventual retirada de algumas pessoas que estão na embaixada brasileira e seu transporte para um local seguro.

Apesar de estudar medidas de "precaução", Amorim disse não acreditar que o governo interino de Honduras tome medidas mais radicais contra a embaixada brasileira.

Segundo ele, sua opinião é baseada no fato de isto nunca ter acontecido antes e em "informações indiretas" de que o governo interino de Honduras não estaria disposto a tomar tais atitudes.

Para o chanceler, qualquer outra medida contra a embaixada seria "uma prova de selvageria e desrespeito ao direito internacional".

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