Brasil pede conclusão da rodada de Doha porque seria benéfico diante da crise

Paris, 7 jan (EFE).- O ministro Relações Exteriores, Celso Amorim, fez hoje um chamado para conquistar um acordo que permita fechar a rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial, porque isso contribuiria para combater a crise.

EFE |

"É preciso concluir a rodada de Doha", assinalou Amorim, após lembrar que as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) estiveram próximas do acordo, e que este é um dos pontos que não se resolveram com sucesso na mobilização internacional frente à crise econômica.

O ministro brasileiro, que participou em Paris de uma reunião intitulada "Novo mundo, novo capitalismo", assinalou.

Amorim concordou com a afirmação do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que também discursou na conferência, em que a reunião de Copenhague "não foi um fracasso total", na medida em que "há uma orientação em que todos os envolvidos devem seguir".

No discurso, Sarkozy também pediu uma decisão sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU, e insistiu que não é possível continuar com a situação atual em que a América Latina e a África não têm representação nessa instância de forma permanente.

Amorim destacou que o Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) foi o instrumento de ação internacional diante da crise, e por enquanto "é uma instância necessária de mediação".

Mas especificou que não pode ser a nova estrutura de gestão na escala mundial porque não é representativa, como não o era no passado o Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia).

Com relação a isso, reivindicou uma reforma "das instituições formais", e se mostrou satisfeito com o início do trabalho para mudar a organização do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

O chefe da diplomacia brasileira disse que "a crise mostrou a emergência dos países em desenvolvimento" e pôs em evidência que o Brasil deve estar presente na gestão dos assuntos mundiais.

Explicou que seu país resistiu melhor que as grandes potências ocidentais, e atribuiu isso, entre outras coisas, às políticas sociais, que contribuíram para alimentar a demanda interna, e ao feito que o comércio exterior brasileiro é "bastante equilibrado".

Amorim considerou, por último, que a crise fez emergir "o ceticismo frente à capacidade do mercado para oferecer soluções a tudo". EFE ac/dm

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