Brasil pede apoio do Paraguai para criar Conselho Sul-americano de Defesa

Assunção, 6 mai (EFE) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, expôs hoje às autoridades paraguaias o interesse de seu país na criação do Conselho Sul-americano de Defesa, que será debatido na cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) prevista para 23 de maio.

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Após a reunião que manteve com o atual presidente paraguaio, Nicanor Duarte, e seu colega do Paraguai, Nelson Mora, Jobim disse que com esse Conselho buscará "articular a posição da América do Sul nos encontros multilaterais como a Junta Interamericana de Defesa da Organização dos Estados Americanos (OEA)".

O projeto prevê ainda a capacitação de militares nos institutos militares da região, assim como a "integração das bases industriais de defesa para a criação das economias de Estado", disse o ministro.

Por sua parte, Mora considerou que o Conselho "poderá discutir com um critério não operacional estratégias e sistemas que fazem a defesa da América Latina, na troca oportuna de informação, na transparência, no avanço e fortalecimento de nossas tecnologias".

O ministro paraguaio indicou ainda que Duarte manifestou sua complacência e expressou que vai fortalecer a idéia do Conselho Sul-americano de Defesa inclusive depois de 15 de agosto, quando passará o cargo ao presidente eleito, o ex-bispo Fernando Lugo, e assumir como senador.

Jobim rejeitou que esse organismo seja de exclusivo interesse de seu país e considerou que "no continente (sul-americano), temos problemas para definir nossas posições em forma mundial, uma posição clara de defesa".

O ministro afirmou que o Brasil já expôs seu interesse na criação desse organismo às autoridades de Equador, Colômbia, Guiana, Suriname, Peru e Venezuela, e que também o fará com Argentina, Bolívia, Chile e Uruguai.

Segundo Jobim, o projeto conta com a adesão de todos esses países, "alguns mais animados, outros menos, mas todos coincidem na necessidade da criação do Conselho".

A possível instauração desse organismo de defesa será debatida pelas autoridades dos países citados, que devem assinar no dia 23 em Brasília a ata constitutiva da Unasul.

Por outro lado, Jobim e Mora se abstiveram de opinar sobre a situação a qual atravessa a Bolívia após a realização, no domingo, do referendo autônomo no departamento de Santa Cruz.

"Não há qualquer possibilidade de que um ministro da Defesa ou que outra autoridade brasileira possa opinar sobre questões internas tipicamente bolivianas", assinalou.

Mora, por sua parte, disse: "Temos certeza de que os irmãos bolivianos vão solucionar esses problemas pela via pacífica e que imediatamente a Bolívia vai se integrar, como sempre, ao desenvolvimento fraterno dos povos".

Jobim também se reuniu com o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez, e antes de abandonar o país será recebido pelo governante eleito.

EFE rg/db

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