Brasil pede à ONU uma ação para acabar com o cerco à embaixada em Honduras

NOVA YORK - O chanceler brasileiro Celso Amorim pediu nesta sexta-feira um pronunciamento do Conselho de Segurança da ONU para pôr fim ao cerco da embaixada de seu país em Honduras por parte do governo de fato.

Redação com agências internacionais |

"A embaixa está virtualmente sitiada", afirmou Amorim aos 15 membros do Conselho de Segurança reunidos em sessão formal.

Segundo Amorim, a sede diplomática é alvo de "atos de acossamento", incluindo cortes de luz, equipamentos sonoros e obstáculos à livre circulação de seu pessoal.

O chanceler denunciou que essas ações constituem uma clara violação da Convenção de Viena e pediu ao Conselho de Segurança da ONU uma "condenação expressa" para evitar qualquer outro ato hostil.

Zelaya pede pressão

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu nesta sexta-feira a seus seguidores que continuem com as mobilizações contra o regime internino, depois de quatro candidatos presidenciais que falaram com ele se negarem a pressionar para que seja restituído ao poder.

"Exortamos à resistência que mantenha a batalha até que, juntos, povo e presidente, consigam as reformas constituiconais e a queda dos usurpadores", pediu Zelaya em um comunicado, lido por seu colaborador Eduardo Reina através da Rádio Globo.

Reunião com candidatos

Zelaya se reuniu na noite de quinta-feira, na embaixada do Brasil onde se encontra refugiado, com quatro candidatos que apoiaram o golpe de Estado de 28 de junho que o derrubou: Elvin Santos (de seu Partido Liberal), Porfirio Lobo (Partido Nacional), Felícito Avila (Democracia Cristã) e Bernard Martínez (Partido Integração e Unidade).

Zelaya indicou além disso que nesta sexta-feira receberá o candidato do partido Unificação Democrática, César Ham, da esquerda, e Carlos Reyes, candidato independente, ambos amigos do deposto líder hondurenho, derrubado em 28 de junho passado, após tentar promover uma consulta popular de reforma da Constituição declarada ilegal.


Zelaya conversa com partidários dentro da embaixada brasileira / AFP

O presidente indicou que o Acordo de San José, que promove o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, "tem como primeiro conceito a restituição da democracia perdida com o golpe de Estado".

"Se deve assinar o Plano Arias no menor tempo possível para que o país volte à calma, seguimos na luta pela condenação ao golpe de Estado", enfatizou.

Zelaya também destacou "a necessidade do plebiscito para que se reforme a Constituição para que não tenham as limitações que têm", e que em isso há acordo com os candidatos presidenciais com os quais se reuniu nesta quinta-feira.

Opinião dos candidatos

Porfirio Lobo expressou que os candidatos estão de acordo com que é preciso fazer reformas na Constituição e que estão "muito abertos a que se dialogue e se faça o mais conveniente para Honduras".

Acrescentou que o diálogo deve ser feito no marco do Acordo de San José e que espera que se chegue a pactos para que "Honduras leve sua vida normal".

Elvin Santos, que foi vice-presidente de Zelaya, disse que foi possível "motivar às partes em conflito para que de maneira firme alcancem retornar às mesas de diálogo".

"Evidentemente que cada uma das partes tem suas próprias impressões e prioridades, mas evidentemente que essas partes terão que compreender que não podem os dois (Zelaya e Micheletti) absolutamente obter tudo o que perseguem ou o que querem, isto é a arte de chegar a uma mediação", apontou.

Felícito Ávila indicou que as reformas constitucionais "ajudariam a melhorar a qualidade de vida do povo hondurenho e ao desenvolvimento, a trazer a credibilidade da sociedade nas instituições públicas e privadas que permitam o desenvolvimento da sociedade".

Bernard Martínez indicou que compartilha a iniciativa das "reformas profundas" que necessita a Constituição e que acompanha "todos os processos que permitam uma democracia plena".

"Acompanhamos a proposta de acordos políticos e a proposta de San José para que finalmente Honduras volte à paz", cotou.

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