Brasil nega ter feito proposta oficial ao Irã

Governo brasileiro nega que País tenha proposto oficialmente a presidente iraniano mediar acordo de troca de combustível nuclear

iG São Paulo |

O Ministério de Relações Exteriores brasileiro negou nesta quarta-feira que o Brasil tenha proposto oficialmente mediar para tentar quebrar o impasse sobre um acordo de troca de combustível nuclear entre o Irã e o Ocidente, segundo a Associated Press.

A declaração se referia a uma informação divulgada previamente de que o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, concordou "em princípio" com um papel do Brasil na mediação do acordo, que foi proposto a Teerã no ano passado pela agência atômica das Nações Unidas.

Um comunicado publicado na terça-feira à noite no site de Ahmadinejad indicava que, durante um telefonema com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o presidente iraniano "anunciou sua concordância em princípio" à mediação proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva . "O essencial das conversações entre Ahmadinejad e Chávez foi a aprovação por parte do presidente iraniano das bases da proposta brasileira", destaca a página virtual, que não divulgou mais detalhes.

Segundo a BBC Brasil, o ministério atribuiu a informação divulgada pelo governo iraniano a um "mal entendido". O Itamaraty disse também que a "proposta brasileira" mencionada pela agência de notícias "provavelmente" se refere à posição do Brasil de tentar avançar nas negociações com o Irã tendo como base a proposta apresentada no ano passado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Em abril, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, declarou, durante uma visita a Teerã, que o Brasil "poderia examinar" a possibilidade de ser sede da troca, caso existisse uma solicitação oficial. "Até agora não recebemos tal proposta, mas, se fosse o caso, poderíamos examiná-la", disse Amorim.

Apesar de negar que Lula tenha feito uma proposta oficial sobre o assunto, o Itamaraty disse, segundo a AP, que o governo brasileiro está pronto para ajudar nas negociações da forma que puder. Questionado sobre o assunto, Lula disse que o mundo "precisa" de uma proposta sobre o programa nuclear iraniano que envolva não apenas Teerã, mas também as Nações Unidas.

Segundo o presidente, o Brasil está disposto a "contribuir" no processo de negociação com o Irã. "Se o Brasil puder dar uma contribuição, pode ficar certo de que nós vamos dar", disse durante uma cerimônia no Palácio do Itamaraty.

De acordo com Lula, o Brasil está "empenhado", ao lado da Turquia, nas negociações com o Irã e vem discutindo o assunto com os "principais líderes" do mundo. Lula disse ainda que está "muito otimista" com sua viagem a Teerã, no dia 15 de maio, quando se encontrará com Ahmadinejad. "Estou muito otimista de ir ao Irã e tentar conversar com o presidente Ahmadinejad sobre a melhor saída", disse.

O Brasil, que é membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, defende o direito do Irã de ter um programa nuclear civil, que, para grande parte da comunidade internacional, é apenas uma fachada para a fabricação de armas atômicas.

Acordo da AIEA

Sob o acordo da AIEA, potências do Ocidente forneceriam combustível nuclear para um reator nuclear em Teerã e, em troca, receberiam o estoque de 1,1 tonelada de urânio pobremente enriquecido do país, que só seria devolvido ao Irã após ser enriquecido a 20% fora do país.

Como os EUA e seus aliados temem que o programa atômico iraniano tenha fins militares, veem a troca como uma forma de coibir a capacidade de o país construir uma bomba atômica, pois o envio desse material ao exterior deixaria o Irã com estoque insuficiente para enriquecer o urânio ao nível necessário para ser usado em uma arma.

O Irã, que afirma que seu programa tem apenas fins civis, rejeitou a proposta original de troca. Ao mesmo tempo, porém, os líderes do país trabalharam para manter a proposta sobre a mesa, propondo variações. As negociações foram interrompidas depois que o país insistiu para que os materiais fossem trocados simultaneamente e dentro de suas fronteiras - condição rejeitada pelas potências ocidentais. O bloqueio das negociações fez com que Washington iniciasse gestões para aprovar uma quarta rodada de sanções na ONU contra Teerã.

Antes de insistir nas condições da troca de combustível no Irã, Teerã havia manifestado que consideraria a possibilidade de que o intercâmbio acontecesse no Japão, Brasil, Turquia ou na ilha iraniana de Kish.

*BBC e AP

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