Brasil não vai tolerar ação contra embaixada em Honduras, diz Amorim

NOVA YORK - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira que o Brasil não vai tolerar nenhuma ação contra contra sua embaixada em Tegucigalpa, onde o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, se refugiou depois de retornar ao país.

Redação com agências internacionais |


Amorim disse a jornalistas em Nova York que o Brasil considera pedir uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar da segurança da missão diplomática do Brasil em Honduras.

Uma reunião sobre o tema está marcada para esta terça-feira e deve contar com a presença de integrantes da delegação brasileira na ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Nesta terça-feira, os serviços de luz, água e telefone foram cortados na zona da embaixada do Brasil, no bairro de Palmira, e a representação passou a funcionar com um gerador a óleo diesel.

Segundo o encarregado de negócios da embaixada, ministro Francisco Catunda Rezende, na tarde desta terça os serviços de luz e água foram restabelecidos, mas o telefone ainda não funciona.

Sem invasão

Nesta terça-feira, o governo interino de Honduras afirmou que as forças de segurança do país não vão entrar na embaixada do Brasil para deter Manuel Zelaya.

"Não é possível invadir (a embaixada brasileira)", declarou a vice-chanceler hondurenha, Martha Alvarado, para quem tal ato traria "mais problemas" a Honduras. "Há convênios e nós respeitaremos a sede diplomática."

As declarações de Alvarado foram feitas depois de a polícia ter lançado bombas de gás lacrimogêneo e atirado com balas de borracha contra os simpatizantes de Zelaya que se reuniam em frente ao prédio da embaixada brasileira. Segundo a rede de TV venezuelana Telesur, duas pessoas morreram no confronto . A informação não foi confirmada por outras fontes em Honduras.

O porta-voz da polícia hondurenha, Orlin Cerrato, também afirmou que a embaixada não será invadida. "Isso não vai ser feito, não vamos violar o direito internacional, as convenções internacionais", garantiu.

Cerrato disse, ainda, que as manifestações de apoiadores de Zelaya em frente à embaixada foram dispersas "em cumprimento da lei", já que o governo de Roberto Micheletti impôs um toque de recolher até a noite desta terça.

AFP
Apoiadores de Zelaya dormem na embaixada brasileira

Apoiadores de Zelaya dormem na embaixada brasileira

Dentro da embaixada brasileira estão Zelaya, membros de sua família e alguns seguidores e jornalistas. A vice-chanceler Martha Alvarado disse esperar que as autoridades do Brasil decidam logo se darão asilo a Zelaya ou se o entregarão à Justiça hondurenha, pela qual é acusado de violar a Constituição.

Para ela, "é comprometedora a situação de o Brasil dar a Zelaya um tratamento de hóspede e este, da embaixada, fazer um chamado à insurreição e ao desrespeito ao toque de recolher" imposto na segunda-feira pelo governo interino. "Tudo isto é comprometedor. É uma ingerência" do Brasil em Honduras, alegou Alvarado.

Refúgio na embaixada brasileira

Na última segunda-feira, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou a seu país e ficou refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Roberto Micheletti, presidente interino de Honduras, fez um pedido para que o Brasil entregue Zelaya à Justiça.

Em entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse ter conversado diretamente com Zelaya por telefone. Segundo ele, o Brasil espera que a volta do presidente deposto a Tegucigalpa represente um novo estágio nas negociações com o governo interino.

Amorim afirmou que o Brasil "não teve nenhuma interferência" nos fatos que levaram à presença de Zelaya em sua embaixada, limitando-se a conceder permissão para que ele entrasse no prédio, algumas horas antes de sua chegada.


Zelaya acena para partidários na embaixada brasileira na última segunda-feira / AFP

Em um comunicado emitido na segunda-feira, o Conselho Permanente da OEA exigiu que o governo interino de Honduras ofereça "plenas garantias para assegurar a vida e a integridade física" do líder deposto Manuel Zelaya.

A entidade exigiu ainda a adoção imediata dos termos do Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Árias, que determina o retorno de Zelaya ao poder, a fim de que ele exerça o cargo até o fim de seu mandato, previsto para janeiro de 2010.

* Com AFP, Reuters e informações da BBC Brasil

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