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Brasil não precisa de medidas drásticas , diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira não acreditar que a crise dos mercados financeiros possa atingir a economia brasileira a ponto de exigir atitudes radicais.

BBC Brasil |

"Não existe nada que leve a gente a acreditar que o Brasil deva tomar medidas drásticas. Não existe nada nesse sentido", disse o presidente em Toledo, na Espanha, onde recebeu o prêmio Dom Quixote, entregue pelo rei Juan Carlos.

Lula criticou a "economia especulatória" e disse que "a crise nasceu nos países ricos e quem está mais tranqüilo neste momento são os países emergentes".

O presidente afirmou que o governo brasileiro não tem intenção de bloquear ou adiar nenhum dos projetos de infra-estrutura em razão da crise e da ameaça de que o vendaval financeiro alcance a economia nacional.

"Não vamos paralisar nenhuma das obras de infra-estrutura no Brasil. Não vamos mexer em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para ferrovías, refinarias, o trem-bala... Não podemos trabalhar com boatos e menos com palpites", disse o presidente.

"O Brasil vai continuar exportando, nossa economia vai continuar crescendo e a crise pode chegar a qualquer país do mundo, sim, mas, se chegar ao Brasil, vamos trabalhar com muito carinho para que, se for assim, essa crise não cause transtorno", acrescentou.

Setor agrícola
De acordo com o presidente, apesar de não sentir a ameaça da crise, o Brasil está preparado para momentos difíceis, principalmente no setor agrícola.

Lula disse estar consciente de que não é possível pensar em superávit comercial nos próximos semestres. Afirmou, porém, que, em comparação com outras economias, como as européias, ninguém no Brasil deveria temer falta de alimentos ou aumento abusivo de preços.

"Temos que estar preparados para tudo, mas não temos o que temer, e o Brasil pode até dar uma contribuição", afirmou. "Imagine se os Estados Unidos ou a Europa retiram suas tarifas alfandegárias nessa crise? Podemos até ficar mais competitivos."
Lula defendeu as medidas de ajuda aos bancos como as que têm sido tomadas por governos europeus (compra de ações para evitar quebras e proteger a poupança dos correntistas) e disse que o Banco Central está preparado para situações de emergência.

O presidente disse também que o Banco Central deveria criar "uma dessas empresas que medem o risco Brasil".

"Eu até agora não vi nenhuma dessas agências aumentar o risco dos Estados Unidos, mas sim analisar o risco Brasil", afirmou.

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