Brasil não exerce liderança, diz pré-candidato uruguaio

Montevidéu, 26 mar (EFE).- O ex-ministro da Economia e Finanças do Uruguai e pré-candidato presidencial Danilo Astori afirmou hoje que o Brasil não exerce a liderança no Mercosul e que a Argentina abusa do protecionismo, no momento em que se comemora o 18º aniversário da criação do bloco regional.

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"O Brasil exerceu pouco sua liderança do Mercosul, porque deu pouca relevância ao bloco e fixa sua prioridade em níveis mais altos", acrescentou Astori.

"A Argentina, por sua vez, tem uma visão diferente sobre o bloco, de corte mais nacionalista e protecionista, o que dificulta os avanços", destacou, durante um café da manhã organizado pela Associação da Imprensa Estrangeira no Uruguai (Apeu).

"O Mercosul está fechado e tem muitos problemas", acrescentou o pré-candidato presidencial da governante coalizão de esquerda Frente Ampla e atual senador.

Para Astori, o acesso aos mercados ampliados "está entorpecido, quando não bloqueado, por parte da Argentina e do Brasil", o que "prejudica os membros menores do bloco", Paraguai e Uruguai.

"São aplicadas muitas restrições não tarifárias, como formas de importação, agora por parte da Argentina, barreiras sanitárias, trâmites burocráticos muito lentos que demoram, dificultam e fazem perder negócios", enfatizou.

Além disso, há "medidas dos estados brasileiros e das províncias argentinas que, às vezes, vão contra as regulamentações do Mercosul e geram mais dificuldades", disse.

O ex-ministro da Economia e Finanças disse que, "apesar desses problemas, o Uruguai jamais colocou sair do bloco regional".

"O Mercosul tem muitas dificuldades, tem uma institucionalidade fraca, mas é preciso trabalhar para melhorar, para mudar, e para que sirva, de verdade, a uma integração política, econômica, comercial, social e cultural", enfatizou.

Segundo ele, "o bloco está muito fechado, para dentro e para fora".

"Como é possível explicar que tenham se passado 14 anos de negociações com a União Europeia sem chegar a um acordo?", perguntou.

Segundo Astori, as maiores dificuldades para chegar a um acordo entre o Mercosul e a UE são porque "os europeus querem ter muita incidência nos temas comerciais e nos investimentos" na região.

"Enquanto Argentina e Brasil colocam medidas protecionistas para seu comércio, Paraguai e Uruguai têm posturas de maior abertura", enfatizou. EFE jf/an

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