Brasil não é ONG para se relacionar com dissidentes, diz assessor de Lula

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta sexta-feira que o governo brasileiro não é uma ONG para se relacionar com os dissidentes do regime cubano. As declarações foram feitas durante uma coletiva em São Paulo, como uma resposta a questionamentos sobre os motivos que levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a não abordar publicamente a questão dos direitos humanos durante sua visita a Cuba, no último dia 24 de fevereiro.

BBC Brasil |


"Nós nos relacionamos com o governo de Cuba, com o governo da Colômbia... não nos relacionamos com dissidentes nem em Cuba nem em outros lugares", disse.

"O governo brasileiro não é uma ONG, encara a questão de maneira responsável, e essa forma de tratamento tem ônus e tem bônus".

"Comentário lateral"

Garcia ainda minimizou as declarações que o presidente Lula deu à agência de notícias Associated Press, quando afirmou que a greve de fome - forma de protesto tem sido utilizada por diversos dissidentes cubanos - "não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas".

AFP
Orlando Zapata, em foto de 2003
Orlando Zapata, em foto de 2003
Na mesma ocasião, Lula afirmou "respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas". As afirmações do presidente geraram polêmica e foram criticadas por entidades como a OAB, que as classificou como "despropositadas".

Para Garcia, o comentário do presidente foi "lateral" e "não reflete de maneira nenhuma a posição que o Brasil tem em relação a Cuba e aos direitos humanos". "Eu entendo que os jornais tenham aproveitado isso para fazer ilações que não têm nenhuma procedência", disse.

Segundo o assessor da Presidência, o Brasil procura tratar a questão dos direitos humanos em Cuba com "discrição" e que qualquer manifestação pública a respeito seria "inócua e contraproducente".

"A questão é complicada e aqueles que querem dialogar com os cubanos na base de exigências quebram a cara. As negociações devem ser feitas em outras bases, de caráter discreto", disse.

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