O Brasil proporá durante a Cúpula dos líderes do G-20, neste sábado, em Washington, que o grupo analise mecanismos para coordenar políticas fiscais e se tornar um foro permanente, revelaram nesta sexta-feira fontes oficiais brasileiras.

O objetivo geral da reunião deverá ser a busca de mecanismos para reduzir o custo do crédito e tornar o dinheiro mais disponível, explicaram os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Fazenda, Guido Mantega, em Washington.

O Brasil insistirá na "importância de se relançar a economia mundial de forma coordenada" e "esse relançamento supõe uma coordenação sobre as políticas fiscais de estímulo", disse Amorim, após um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Mantega destacou que é preciso estabelecer um "programa de políticas monetárias, reduzindo as taxas de juros, aumentando o crédito e fazendo com que a liquidez chegue ao consumidor e ao produtor", isto acompanhado de um aumento de gastos do setor público.

O ministro advertiu que a coordenação de ações fiscais é necessária para se evitar que os investidores busquem se aproveitar de eventuais desequilíbrios criados pela adoção de medidas díspares em um ou outro país.

"Tem de haver uma sintonia entre os países para que todos ajam ao mesmo tempo, para que ninguém se aproveite" da situação.

Mantega também advertiu que se "não forem adotadas medidas rápidas, haverá o risco de uma depressão econômica" mundial.

"Temos os instrumentos para impedir que isto ocorra e os governos dão demonstrações de que estão dispostos a tomar medidas concretas", destacou o ministro.

Mantega também defendeu "medidas de estímulo ao comércio mundial" e considerou que a Rodada de Doha sobre a liberalização do comércio mundial, estancada na Organização Mundial do Comércio (OMC), "poderia, inclusive, avançar graças à crise, que seria um catalisador de acordos que até então não eram possíveis" sobre a redução de tarifas.

O Brasil propõe ainda que esse tipo de encontro se "institucionalize" para estabelecer um foro permanente de líderes, explicou Amorim.

"O G-20 deve se transformar, naturalmente, em um foro de chefes de Estado", reforçou Mantega.

A proposta coincide com a ambição do governo Lula de ampliar sua participação em foros multilaterais internacionais, como as Nações Unidas, e nos organismos financeiros internacionais, como o Fundo Monetário Internacional.

O Brasil defende ainda um aumento da regulação dos mercados financeiros, com uma "maior supervisão e fiscalização do sistema financeiro internacional".

O comunicado final da reunião em Washington destacará "a necessidade" de estabelecer maiores regulações do sistema financeiro, revelou Mantega.

"Todos os países admitem a necessidade de uma regulação do sistema financeiro (...) Poderá haver divergências sobre o tipo de regulação (...) mas no comunicado (final) estará dito que é necessário que haja uma regulação do sistema financeiro, principalmente o não bancário".

"Os atores financeiros não gostam de regulação. Talvez haja uma discussão em nível técnico sobre quais mecanismos serão utilizados", completou, reiterando a postura brasileira de buscar maiores mecanismos de controle dos mercados.

Os presidentes dos países mais industrializados do mundo (G-7) e nações emergentes, como Brasil, China e Índia, vão se reunir amanhã, na capital americana, para buscar coordenar ações diante da crise econômica.

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