Brasil foca ajuda ao Haiti e deixa de lado polêmica com os EUA

Jaime Ortega Carrascal. Rio de Janeiro, 20 jan (EFE).- A polêmica sobre a presença militar dos Estados Unidos no Haiti passa longe do Brasil, que lidera a missão da ONU nesse devastado país e cujo Governo pediu hoje ao Senado que autorize o envio de mais 800 soldados para ajudar nos trabalhos de assistência às vítimas do terremoto.

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A tragédia haitiana deu ao Brasil, segundo palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "um papel relevante", pelo fato de o país comandar, há cinco anos, a Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah).

Mas igual destaque tem ganhado o silêncio brasileiro ante a polêmica gerada pela presença dos EUA no Haiti. Na verdade, o fato de soldados americanos terem assumido o controle do aeroporto de Porto Príncipe incomodou setores militares do Brasil.

Mas o chanceler Celso Amorim minimizou o assunto após conversar na sexta-feira passada com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

"Até certo ponto, isso pode ser visto como natural, porque evidentemente há muitos voos de muitos países querendo chegar (a Porto Príncipe). Mas o importante é ter claro que somos tratados com a prioridade adequada", disse à imprensa o ministro das Relações Exteriores.

Nesta segunda, Lula falou por telefone com o presidente americano, Barack Obama, que destacou que o Brasil é seu principal parceiro no Haiti e que ambos os países devem permanecer unidos, já que têm os maiores contingentes militares na região. Ao mesmo tempo, o chefe de Estados dos EUA ressaltou o conhecimento que os soldados brasileiros têm da geografia, da população e dos costumes haitianos.

Nessa conversa, Obama sugeriu que EUA, Brasil e Canadá liderem a conferência de países doadores que acontecerá no próximo dia 25, na cidade canadense de Montreal.

A postura do Brasil, o país latino-americano mais envolvido no Haiti, difere da de Governos como os da Venezuela, Nicarágua e Bolívia, que veem a presença de mais de 13.000 soldados americanos na nação caribenha como uma "ocupação militar".

"Já tomaram até o Palácio do Governo", disse hoje o presidente venezuelano, Hugo Chávez, sobre os militares americanos que ocuparam os arredores da sede do Executivo, em Porto Príncipe.

Antes, o boliviano Evo Morales havia anunciado que seu Governo pedirá à ONU uma reunião de emergência para "repudiar e rejeitar a ocupação militar dos EUA" no Haiti.

A tônica brasileira, por outro lado, é a de trabalhar lado a lado com os americanos e com o resto da comunidade internacional nos trabalhos humanitários urgentes e, posteriormente, na reconstrução do Haiti.

"O presidente Lula manifestou sua disposição de continuar colaborando na reconstrução", disse Amorim nesta quarta-feira.

No mesmo sentido se expressou o assessor presidencial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que declarou hoje que, se o mundo tivesse atendido aos pedidos de mais ajuda ao Haiti feitos pelo Brasil há quatro anos, "o terremoto não teria tido os efeitos devastadores que teve".

"A comunidade internacional não tem mais desculpas para dizer que o Haiti não é um problema dela. É, sim", disse García à imprensa.

Dentro dessa política de não deixar o Haiti sozinho após o terremoto que deixou pelo menos 75 mil mortos, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu hoje ao Senado que autorize o envio de mais 800 soldados ao país caribenho.

Esses militares se juntarão aos outros 1.266 brasileiros que há cinco anos estão no Haiti como membros da Minustah, cujo contingente ganhará mais 3,5 mil homens depois que, ontem, o Conselho de Segurança da ONU aprovou seu reforço por seis meses.

Além das tarefas humanitárias e de segurança de que participam no Haiti os militares brasileiros, 18 dos quais morreram no terremoto, o Governo brasileiro enviou na última semana 165 toneladas de ajuda e um hospital de campanha. EFE joc/sc

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