São Paulo, 23 jan (EFE).- O militar da reserva uruguaio Manuel Cordero Piacentini, acusado de participar da Operação Condor nas ditaduras sul-americanas nos anos 70, foi extraditado hoje para a Argentina, onde responderá por acusações relacionadas a violações aos direitos humanos, detalhou hoje uma fonte oficial.

A Polícia Federal do Rio Grande do Sul informou à Agência Efe que Cordero foi transferido em uma ambulância a partir de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, para Uruguaiana, onde foi recebido pelas autoridades argentinas.

Em Uruguaiana, na divisa com a Argentina, Cordero foi submetido a um novo exame médico e entregue aos agentes argentinos, que o levaram de ambulância até Buenos Aires.

Segundo a informação da PF em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, Cordero recebeu na sexta-feira a autorização para deixar o hospital em Santana de Livramento, com o compromisso da Argentina de militar continuar o tratamento cardíaco em Buenos Aires.

A extradição havia sido adiada devido aos problemas de saúde do ex-militar de 71 anos.

Cordero, que passou os últimos seis meses em prisão domiciliar em Santana do Livramento, foi retirado na terça-feira de sua casa por agentes da Polícia Federal, mas por causa de um mal-estar, os policiais o transferiram ao hospital Casa de Saúde dessa cidade.

O ex-repressor tinha recorrido na segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) em uma tentativa de evitar sua extradição à Argentina.

Na Argentina, cordeiro deverá comparecer diante do juiz federal de Buenos Aires Norberto Oyarbide que o interrogará dentro do processo de violações aos direitos humanos cometidos na Operação Condor.

Detido no Brasil em 2007, Cordero apresentou um recurso para interromper o processo de extradição, ao considerar que deveria ser contemplado com a lei de anistia do Brasil, de 1979, que perdoou os crimes da ditadura neste país.

O STF aprovou em agosto a extradição à Argentina, onde ele é acusado pela morte de dez pessoas, o sequestro de um bebê e de 32 casos de torturas contra detidos em 1976 em um centro clandestino.

Entre as acusações está a tortura e assassinato de Marcelo Gelman, filho do poeta argentino Juan Gelman, do desaparecimento da mulher de Marcelo Gelman e da nora do literato, María Claudia García, e o rapto de sua filha, localizada no ano 2000, após uma longa busca realizada por seu avô que havia sido adotada por um policial uruguaio.

A extradição de Cordero também foi inicialmente solicitada pelo Uruguai, mas o pedido foi rejeitado porque os crimes foram cometidos na Argentina.

Em janeiro, os advogados de Cordero entraram com dois habeas corpus: um para tentar anular o julgamento de extradição e outro permitindo a transferência dele para Porto Alegre, para ser submetido a uma cirurgia cardíaca.

A defesa alegou que o militar não foi acusado formalmente em nenhum tribunal da Argentina e que, na solicitação de extradição, foi omitido o compromisso de não ser condenado à prisão perpétua, o que descumpriria os tratados entre os dois países, já que no Brasil a pena máxima é de 30 anos de reclusão. EFE wgm/dm

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