Brasil extradita Abadía, traficante comparado até a Pablo Escobar

Eduardo Davis Brasília, 22 ago (EFE).- O Brasil extraditou hoje para os Estados Unidos o narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía, conhecido como Chupeta, que por sua crueldade e poder chegou a ser comparado a grandes chefes do crimine organizado como Pablo Escobar.

EFE |

Por razões de segurança, "Chupeta" foi transferido durante a madrugada da prisão de Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, para o aeroporto local, de onde foi enviado para a Manaus, como explicaram à Agência Efe fontes do Ministério da Justiça.

No estado do Amazonas foi entregue a oficiais da Justiça americana, que às 9h30 partiram com o chefe do narcotráfico em um vôo privado rumo à Nova York, onde "Chupeta" será processado por pelo menos 15 assassinatos, tráfico internacional de drogas e crimes financeiros.

Embora pudesse ser condenado à morte pelas acusações que enfrenta, a pena não poderá passar de 30 anos de reclusão, que é o máximo permitido pelas leis brasileiras.

O Supremo Tribunal aprovou sua extradição em março passado porém, devido à lentidão dos trâmites burocráticos, a entrega foi postergada só ocorrendo há 15 dias, quando o Ministério da Justiça decidiu considerar o assunto urgente.

As autoridades brasileiras descobriram que Abadía tinha feito novos contatos, como com o chefe do tráfico "Fernandinho Beira-Mar", com quem planejava fugir.

Esses planos, segundo fontes oficiais, incluíam ações ousadas, como o possível seqüestro de personalidades para usá-las como moeda de troca, entre elas um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Polícia descobriu que, nesses planos, os dois chefes do tráfico contavam com as redes locais que "Beira-Mar" mantém ativas, com a cumplicidade da ex-mulher de Abadía, Ivana Pereira de Sá, e com o advogado Vladimir Búlgaro, que foram detidos.

Embora não esteja claro o limite entre realidade e lenda, é atribuído a este narcotraficante de 45 anos, formado em economia, pelo menos 350 assassinatos, entre eles os de 35 membros da família de Víctor Patiño Fómeque, outro chefe das drogas que tentou disputar com ele o poder.

A fortuna de "Chupeta" foi calculada pela Polícia Federal em US$ 1,8 bilhão, que incluíam US$ 55 milhões que eram, em parte, em barras de ouro, apreendidos no ano passado em Cali (Colômbia), onde Abadía começou sua carreira de narcotraficante em meados dos anos 90.

No Brasil, possuía mansões, fazendas, iates, aviões e caríssimos automóveis, que foram oferecidos em vários leilões em que foram arrecadados cerca de US$ 40 milhões, depois destinados aos cofres públicos.

Nesses leilões, que atraíram milhares de pessoas, chegaram a ser vendidos até seus objetos mais íntimos e pessoais, como suas cuecas e bonecas Hello Kitty, que colecionava há anos.

Também foi vendido o veleiro no qual chegou há quatro anos ao Ceará com US$ 4 milhões em dinheiro.

Quando foi detido, no dia 7 de agosto de 2007, "Chupeta", já com o rosto modificado por quatro cirurgias plásticas, não resistiu à prisão e até se ofereceu para colaborar com a Justiça em troca de ser extraditado para os EUA, que oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões por sua captura.

Como disse então um de seus advogados, Luiz Gustavo Battaglin, Abadía preferia ser entregue à Justiça americana, porque nas prisões do Brasil "há muitas restrições" para "a alimentação, as visitas e até o tipo de leitura".

A entrega de "Chupeta" aos EUA coloca um ponto final à atividade de um dos narcotraficantes mais poderosos, que é comparado com Pablo Escobar, chefe máximo do Cartel de Medellín que morreu em 1993, e Gilberto Orejuela, um dos principais chefes do Cartel de Cali, extraditado pela Colômbia para território americano em 2004. EFE ed/bm/rr

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